sábado, 26 de maio de 2007

representações perfeitas, carne e sonho, infelicidade e desilusão...partes do corpo estrebucham...o calor oprime...sem sono...amanhã contemplarei uma fila fúnebre...derrota...culpa...círculos...enorme tristeza vindo...o presságio é: morte...o som é de sirenes...solidão...estou livre?...o que leva a mim mesmo?... no fim das contas é só uma perda a mais, sem sorrisos, sem planos, conjecturas, aconselhamentos, nu, desprovido de qualquer virtude, pura ruína...imaginação morta...morto...a luz do sol indo...brisa noturna...aqui na minha sala ergonômica, aqui que não me satisfaz...lábio rachado...do ouro lado rio, luzes pequenas, ali no muro as luzes de fim de ano enfeitando com doce ilusão estes últimos dias de 2006...de ressaca da vida arrasto-me pelas beiradas da cidade-abismo, sinto repúdio de mim por não ter coragem de ir adiante e dar cabo deste empecilho cansativo que é minha senda...no auge do sonho sou acordado por batidas na porta, levanto, vasculho e não há ninguém, talvez fosse um eco de um outro sonho dentro deste em que voava agarrado à uma asa de um espaçonave num futuro distante...lembro de agulhas sobre a pele...lembro da infância...sinto o quanto é péssimo ser grande!
out/nov 2006
vasculhos nos recantos da memória...algo queima nas entranhas completamente perdido...marionetes são mais interessantes que pessoas...onde esconderam este magnífico fato denominado "vida"?...Mozart na na manhã fria é uma delícia...barulho de carro desgovernado...nunca olho para atrás...acho que vai dar certo...a crise vem, lambe minhas mãos com riso maroto...garras retraídas...a luz do inverno se faz presente por dois dias...não há o que fazer...o contato vai desaparecendo...escrevo na névoa do mofo...roupas espalhadas...moscas...hipnose..tento um descanso...a batalha piora a cada dia...felicito o apático...perco o controle do meu corpo...lembro coisas que nunca vão acontecer...não tem jeito. tudo sempre é imperfeito, fatos desmoronando, fotos que se apagam...por todos os lados perigo, nunca baixe a guarda, músculos em riste, dedos no gatilho...o fim de uma fase reverbera em vontade de inexistência..o ínicio do dia é a fomentação de um núcleo de dores terríveis...diante do espelho apenas mudez...aqui eu, minha vitrola e os discos em perfeita harmonia...olhos cansados...o que sinto já não corresponde a mim, parece outro encarnado, mas sinto como se fosse meu, mesmo dentro de mim existem milhões que desconheço...preciso sumir...
out/nov 2006
me dê a mão, estamos próximos do fim...ansiedade, decepção, tédio...devolvo fogo...sêmen na fossa...sou um fantoche de carne e osso...me ofertam a morte na noite de quarta-feira...sorrio...esqueço e lembro ao mesmo tempo...terrível mesmo é estar vivo...nutra a minha dor...tédio lambe minha glande...vento frio corta...um sono arrebatador corta...ouço máquinas indo e vindo...onde estou e o que sou agora?...preciso de um canto pra dormir...cansado dos grilhões...nunca última página, nunca último trago...máscaras flutuam...derrame uma palavra na anfôra do meu ouvido...sem sossego...garimpo dores em meu ventre...pequenas ninfas saltitam no fim-de-tarde...arranco cabelos brancos das fossa nasais...a rotina engole o prazer o, as coisas, as visões...existe uma solução?...me dê um motivo para o riso...o passado se repete...no limite, sempre no limite...imprimo uma falha, sinto o declínio, as forças indo embora, corpo desobedecendo, vejo o delírio brotando, cansado fecho os olhos...sonhs escuros...ignoro para sobreviver...chega de perguntas...pedradas..ignoro para sobreviver...pedradas...pauladas...menosprezo...de agrura em agrura vou montando meu mosaico...as coisa não mudam ou as pessoas não mudam, não fazem o mínimo esforço...agora é a sua vez!
urge a pressa no coração aflito...membros espalhados no asfalto...estamos aqui pra nada...esqueço minha âncora...a palavra revela, mutila...tenho um segundo pra pensar, uma vida inteira pra nada...outrora seres vagavam, agora tudo é um transeunte sedento, faminto de qualquer coisa...veias vazias...a esperança é uma despedida eterna...o marasmo se prolonga, em silêncio suporto todo o martírio do ser na carne...pura loteria...espero e não chega...sombras na vitrine...desampontamento...sou roubado...máquinas me chamam, sussurram em meu ouvido, vão lá no fundo do cérebro...tenho resistido aos códigos indecifráveis...palavra ferve...a tarde vai cálida e fresca...quase tudo em ordem...refaço todos os passos, cada lugar, cada detalhe...visão embaçada...finjo felicidade...permito-me um mergulho na descoberta...tragam minha máscara...sangue quente...estrume...não há mais dor...nada se repete...olho pro infinito...cauterizam meu nervo, a insensibilidade se extende, por todo o corpo, pareço flutuar. todas as coisas lentas demais...quente, abafado , escuro...aquele sábado foi de alegria e cegueira...desembarco minha dor nos becos da cidade...o esgoto é meu espelho, onde regurgito tudo o que me assombra...meu leitmotiv é a desgraça de uma ressaca num dia cáustico de verão...
09-2006
pouco tempo é o que me resta...nenhum tostão nos bolsos...anestésico...criança chora, velho sorri...cascas de amendoim...preciso de solidão...desilusão...falta sempre um minuto pra alguma coisa...falta pouco pra nada...um trago e a vida continua...o instinto persite forte elento no silêncio da madrugada...pernilongos...desprovido de armas sigo no automático incompatível a tudo...na tortura da insônia tento um mergulho...seja bem-vindo a escória e todos os seus asseclas...pancadas de chuvas...gana de ir à porta e perder todo o controle, deixar o vento gélido entrar, alagar tudo, acordar todos e gritar num ato último de liberdade...vultos...memória-osso, saudade-fotografia; não resta nada além disso...a tv desligada tem-me dentro dela, quando ligo-a. sou expulso de volta pro real...amor extinto...amanhã dias de víboras, veneno pingando na mesa, olhos ensandecidos..sublimação morta...agora é tudo mecânico...neste exato momento na primeiras horas da manhã de sexta-feira sinto o desgosto vindo e conquistando cada centímetro do meu corpo, fincando bandeiras de remorso em minha moleira, abrindo valas de indignação em minha virilha...e pinga eternamente massacrando cada vez mais...preciso de sono, ele não chega...talvez contemple o raiar do dia...tudo vácuo...insalubre...

setembro - 2006
quem traça o destino?...volto ao âmago da insatisfação...quando retorno pra casa contemplo no asfalto meu felino mais que esmagado pela força, pelo peso do carro, os olhos saltaram das covas oculares, línguas e dentes numa massa indefínivel...de quem é a próxima linha?...no outro dia urubus nem esperam apodrecer, desfrutam numa algazarra as vísceras do bichano...atravesso a fronteira...não há nada de impressionante...céu azul...brisa...carros...após um revirar de páginas, a constatação do vazio...a palavra vem do mais profundo...entendo cada coisa e o segredo dentro delas...quem coloca a primeira pá de areia?...as peças do jogo estão danificadas...aqui nas paredes brancas ouço a sinfonia do mundo lá fora...queria um sono pra vida toda...piso no esgoto, pé afunda na lama, sangue...nada é como eu quero...tudo é desalento...é uma saudade de doer em tudo...tenho sede mas não quero água...nunca vejo nada...nunca ouço nada...ponta dos dedos dormentes...café, pressão alta, paranóia...ligue o motor, vamos embora, encara a pista, saber se a liberdade existe mesmo...chego em casa, despenco na cama, no outro dia acordo e novamente tudo se repete...sinta o gosto do amargo...veja a ferida pingando...incansável, tedioso, tedioso...e na confusão dos meus sonhos não entendo nada...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

não consigo olhar para trás...e neste exato momento dói tudo...não consigo lembrar...se aqui é o fim da viagem tudo está em desordem...engulo farpas...a música vai e volta a cada dois minutos...eternamente sangue...velhos sapatos debaixo da cama...dói o tornozelo..janelas, janelas e escadas...fibrilando, pura tensão...moedas tilintando no chão...desespero hoje, amanhã talvez liberdade...limpe os pés...deixe minhas vísceras quentes...minha língua dança solitária no ar...onde está a tigela de doces?...bombas, bombas, ogivas para todos...esta página é uma página do passado...letras escorrem pela superfície...a vida real é mesmo uma grande merda...visão turva...placas hipnóticas...tolice por todos os lados...migalhas e um batalhão de formigas na cama, moscas vão e vem...desmonta e quebra e conserta e desmonta de novo...quem define as consequências?...não consigo andar com as próprias pernas...sou um vacilo a cada instante...tento esquecer o sono...a cada dia respiro pior...amanhã logo cedo estarei de pé...no meio da noite sinto saudades dos longos dedos brancos que acaricavam-me com magnífica força...tempestade...minhas entranhas tremem...sinto tudo ir embora....cada evento é uma enorme despedida...será que sou livre?...facetas disso e daquilo...mudez...
numa página do passado a palalavra de três amigos...nas paredes rastejam musas e surgem formas...antes de ontem foi uma noite terrível...parecia que ia dissolver...na cozinha esposa e sogra conversam sobre as mazelas do cotidiano...daqui a pouco retorno ao meu posto de escravo...cansaço, cansaço, apatia...outrora a lombra era a única fuga...onde estão as chaves da bonanza?...fuligem...a boca cospe mil e uma coisas...o ventilador treme, quase pára e volta a girar a hélice...a cortina balança, parece ter vida...vou desumanizando-me...quem dera ser um objeto...finco os dedos na minha carne e nada...fome, dor, anestesia...liga, liga, desliga...respiro fundo, imagens difusas; uma rua de Santa Tereza, garota nadando no Arpoador, ruas de São Luís do Maranhão...síncope...a boca não cessa...aqui, aqui, longe...os brinquedos foram embora...o riso perdeu o som...todo dia é uma doença nova...no meu sonho alguém dizia "deixe um rastro de aspirinas no caso de você esquecer o caminho"...lembro de manhãs-lexotan, tardes-lorax, noites-rouphinol...esqueço, esqueço, sorrio...sorrio, sorrio, esqueço...
agosto 2006

segunda-feira, 21 de maio de 2007

mais uma vez o sono vem roubar-me do real...a gente conversa e não se entende...insisto no passado...pequena prostituta desliza na mesa...não quero dormir...longe de tudo...insetos em minha pele... não sei o que quero...ir embora sem olhar para atrás!...issso aqui está um verdadeiro inferno...não tenho raça...a foice silva dois metros acima da minha cabeça...as veias do pescoço pinicam em dor...fantasmas...álcool ferve nas veias...uma linda garota estava apagada em minha mente...a casa ameaça cair...muita confusão...libido distante...não sei mais o que me dá prazer...não tenho memória sólida...meu sangue voa nas asas de um pernilongo...esquecer de tudo!...tenho vergonha de mim...a pele arde, coça...nada do que faço vale a pena...o frio corta-me as entranhas...desordem...sem sentido percorro os becos sujos da província...ilusão! ilusão! ilusão!...não acredito em porra nehuma...aqui não é fossa mas é merda por cima de merda...discorde da concórdia que há em você...destrua vossas esperanças...encha meu copo...a farsa engole o mundo...quero descansar...morosidade!

19-abril-2005
vejo a grande nuvem cinza...imenso presságio de frio...dito e feito...perco uma prenda...a beleza é perfeita poque é utópica...rã vibram a gaganta anunciando mais chuva...e o dia foi lindo e imperfeito...grilos compõe o lento deslizar da noite...inasatisfeito...ela enclausura o medo no medo inconsciente de uma mala...minha cabeça ferve...não sei o que será de mim daqui a uma semana...relapso...uma linda oriental derrama flores que traz em sua saia num rodopiar majestoso e ritualístico...meu tempo se perde nas contas de um colar que penso ter perdido..quem vai?...eu?...eu sempre fico mudo estupefato com lágrimas represadas quase sólidas sem nada poder fazer, vendo o mundo degringolar...cachorro agoniza na calçada às 10:30 da manhã...eu?...apenas ouço tua voz indo embora...a grande nuvem desiste...agora são gotas no telhado, pernilongos, formigas voadoras, rãs e frio...meu coração dói, tudo urge descontrole...impotência...não entendo a insana alegria de meus sonhos...sem sono...eu?...eu sempre espero...e nada é como o previsto...a vida é cruel...incrível mistura...no burburinho da feira tantas cores, cheiros, texturas...quero entorpecimento...quero congelar os nervos...tô virando merda líquida rumo ao ralo...
não ha música na manhã de Domingo...ontem esperei, esperei e nenhum retorno...recortes de sonhos...subrealidades invadindo minha imaginação...chuva...tudo estranho...inexato...as paredes do buraco estão mais lisas...volto à vida com pesar...ainda resquícios, ainda fantasmas que rondam, falam, azucrinam...inútil, opaco, vazio...agora mormaço abraça a pele...sinto-me péssimo...ontem fui invadido por uma doce energia...esvaí-me em sono...às vezes a morte é a melhor das saídas...perco a felicidade num quebra-cabeça de picuinhas...a placidez magnânima que me acalma vai embora nas asas poderosas de um monstro metálico...tantas ânsias fustigam-me o peito...penso nos brotos de puro delírio brotando do esterco na pureza do campo...ano passado as montanhas do Rio de Janeiro surgiam como um encanto diante dos olhos...daqui há uma semana a cidade maravilhosa me roubará mais uma vez...não consigo ouvir...o pensamento tal qual um espelho despedaçado revela milhares de formas...extrema insignificância...algaravia incontrolável de emoções...durmo no sofá esperando que a voz suave, firme e sensual, quase um silêncio, venha ao encontro de minha consciência, mas não vem...as notas se repetem...a diferença é subliminar...hoje eu espero novamente...hoje eu ligo novamente...não adianta mentir...não vale a pena se enganar.
um copo atrás do outro...cego...vou pra onde não sei...caminho sob o sol escaldante da manhã...cocaína...bolso vazio...fígado podre...espero não me fuder um dia...todo o corpo dói...vida miserável...mão trêmula...vômito...sono...e o futuro?...vida nova chora nos braços de minha avó...luz insalubre...cada gole uma mancha escura reaparece e toma conta...o mundo ferve lá fora...aqui na ressaca espero que a agonia vá embora...não posso...cabeça latejando...últimos centavos por mais uma dose...doença...cansei de tudo...totalmente sem controle...onde está o amor?...onde está o ódio...tédio, tédio, tédio...a menina sorri e louva a morte...vou ao banheiro e quando volto as mesas estão vazias...quebro uma promessa...Ororo eleva-se numa imensa nuvem e vai embora em meio à ventania, raios e trovões...o que eu tenho?...nada!....o que eu sou?...um covarde!...e o amanhã?...juro que não sei de nada!...será que a vida é líquida?...cada dia o veneno é mais forte...fel...completamente imaturo...eu sempre estrago tudo...acabou a magia das coisas...sinto-me um bastardo...não tenho nada...nada!


2-abril-2005
a doença volta novamente...páginas que não consigo decifrar...apaixono-me pela distância...você se materializa em meio à bruma da monotonia, você acredita em mim, você ouve minha exígua voz, você compreende minha fraqueza, você desfila suas mãos em meu dorso, eu me sinto feliz...a vida é uma doença benigna...aprender a vida é curar-se dela e esperar sem temor pela morte...saio na noite...sem rumo...apenas dor e saudade...cansaço...três dias longe de tudo...no retorno ao mofo um delicioso passeio...sala vazia...ressaca...aos poucos tudo retorna ao normal...pesadas nuvens sobre a província...cada dia mais fascínio...esperei e não vi tua chegada...água desaba em milhares de gotas...tempestade louvando Tempestade...não tenho medo de tua distância...você aniquila todos os meus medos...todos os espelhos quebram em uníssono...reviro meus trapos...ouço uma velha canção...dói tudo...sinto um mar de ternura invadindo-me...a porta da masmorra range...vômito...a luz do dia pertuba e machuca...confinado no leito esperando a cura...a porta se fecha...a chaga pulsa às vezes dolorosa, às vezes dormente...sufoco...apenas lhe peço que não se esqueça de mim...preciso de sua letra, de sua voz...fecho os olhos em puro devaneio e escuto tua esplêndida voz!!!
fendas magníficas abrem-se na realidade...inacessível possível...poder se esvaindo...sem controle torno-me uma imensa falha...armadilha...não, não serei idiota até o fim...crepúsculos maravilhosos...a noite me engole nu, a noite reluta...o tempo voa...navalha...tudo é possível...não adianta se esconder...nenhuma dessas palavras são minhas...nenhuma dessas lembranças são minhas...coisas vem, me surpreendem, me roubam graciosa do tédio...o que fazer?...o que fazer?...a graça maviosa do corpo nu, do negro corpo despido, da pele suave de sabor inigualável...logo após e quase sempre confusão...luz do dia...coração minado pela surpresa...fome!...luz da manhã de sexta-feira, 18 de maio de 2005!...quase não durmo...e a matraca que não cala...ei! essa voz tanbém não é a minha...sou um cavalo de mim mesmo descontrolado e doente...amanhã também...amanhã e sempre...Billie Holiday chora na tarde cáustica...agora espero!...merda é não saber o que vai acontecer...o que me irrita é o musgo da minha alcova que quase não me larga...espero!...as horas pesadas como um paralepípedo amarrado no pescoço...desgraça! como sou patético!...tu estás além da carne...eu estou além de nada!
18-03-2005
frágil...carótida ressecada...suspenso...manhã extremamente quente e luminosa...atravesso a vida com um espinho na garganta...ausente...estou sumindo diante do espelho...cicatrizes brilham...abissal...preciso de leveza...a paixão percorre veloz e voraz nas veias...trombose...ignoro minhas palavras...meu vernárculo é pobre...o passado atesta a fraqueza de estar vivo e não ter controle...dai-me o vício...instiga-me...não quero estar aqui...quero mesmo é estar aí!...escuro...sede..a água é pouca...boca amarga...a seiva não basta...estômago ecoa...nunca vi tua letra mas sei o sabor do teu verbo...pesado, tento me mover mas sem êxito...suor frio...língua pesada...todo dia um pontada no peito...face esquerda gélida...ombro esquerdo repuxando...risos na mesa ao lado...devastado pela existência respiro mal e não enxergo bem...nã tem jeito...solidão me cerca, reverbera seus ecos nocivos...medo...hoje o prato, amanhã o caixão...o bólido desliza pela noite conduzido por Ororo...volto pra casa e mergulho no sono querendo que o próximo dia seja breve...uma longa jornada...canção sem alaúde...a vida está repleta de segredos...fico soturno e não penso no que faço...correnteza feroz...dor
nova infância...nova vida!...ruas vazias...2 tiros de escopeta na cara, depois ela é arrastada até o alto do morro...nova ilusão...durmo na cama de um ex-moribundo....poucos amigos...muita falsidade...milhões de vezes imagens de um lugar que não acabou e que me espera...33° gato que morre atropelado defronte minha casa...pseudo-consciência...beijo as vísceras do perigo na tarde de sábado...súbita tristeza...impotência...sinto-me devastado...34° gato que aparece e dorme cálidamente no sofá...sou meu algoz...sempre tenho feridas...novo jogo...velhas derrotas!....engulo todos os copos, dou vexame, caio na sarjeta, falo muita merda, depois despenco e durmo indefeso...ressaca devastadora!...ainda há calos nas minhas mãos...o sol avança...feliz por não está triste com o fim de tudo...neutro...nada utópico!...velho e insuportável...ser esguio por entre sombras, leve como uma pulma, liso como limo, sinuoso tal qual serpente, comer todos frutos sem se apegar...o disco acaba, ora bolas, ponha outro, afinal são tantos na estante...quisera não ser eu, não ser esta tolice de personalidade...a voz da ilusão liga pra mim nas primeiras horas do dia...perguntas bobas...a manhã indo embora ao som de Art Blakey and the jazz messengers...não sei de agora...não sei de amanhã...esqueci ontem!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

ali na casa de tolerância a vida pulsa em delicioso caos...café amargo ao meio-dia...rápido...aqui sol, lá um bloco de nuvens...são dias iluminados demais...sono...o som atravessa as paredes...hoje é dia de desnutrição...apatia envolve as horas...onde está a vitória??...pernas doem...olho esquerdo treme...não tenho dúvidas sobre nada....loucos mergulham na noite...lá fora tá cada vez mais estranho...esporrar, esporrar, dormir...quero pílulas de conforto, carinho, lucidez, auto-estima e bem-aventurança...de vez em quando não entendo minha letra...morte, morte, liberdade!...carros de propaganda enchem o saco...poesia distante...urina canina...no meu quintal uma sinfionia de cantos enjaulados...vendo pedaços de minha alma por qualquer sensação...sou uma privada fudidamente receptiva de toda a merda insuportável do cotidiano...preciso ser mais rápido que o ponteiro...preciso ser qualquer coisa além de mim...sem música...tempo, tempo, tempo...vício, vício, vício...deito-me na cama, pego minhas amarras e preparo-me para um sono convulsivo...longe de mim reuniões familiares, pessoas unidas e sorridentes, todos embalsamados até o fim dos tempos... espero e nunca chega...a hipocrisia caminha por debaixo da pele...não posso ir além, não posso retornar...estar aqui é o que me resta...

julho/agosto - 2006
música que não é música...rapidez extrema...sinto cada instante como se fosse o último...goteja, goteja, goteja...esquarteja na próxima na cena...não pára...fotos antigas; ilusão do passado materializado para o porvir...lâmina entra na pele, sangue sobe, pulsa...cansei de ser este aqui...a máquina me transporta através da cidade...fraco, fraco, fraco...sou um alvo fácil da ilusão... cegueira...entropecimento brutal...na verdade queria acabar tudo agora...a pressão sobe...falar, falar, gritar...a porta se fecha...lá fora o sol caminha, máquinas roncam, as veias multicoloridas da cidade pulsam caóticas...o ponteiro não cessa...aqui a luz é a mesma...vômito de sangue na calçada...aqui apenas o pior...minha face formiga....poltronas vazias...a doença reina superior e sempre vence...isto que sai agora é o mínimo possível pra manter-me são...na fantasmagoria do espaço virtual flutuo ao sabor do vento...há tempos sem música...a tv dissolve a dor da existência em derrame cerebral...silêncio...o corpo luta pela cura, a ferida resiste...aceite a sentença, esta é a sua lâmina, quando chegar o momento não recuse, não resista, pois não tem escapatória...

julho - 2006
nas primeiras horas da manhã..olhos fragilizados pelo alvorecer...tantos detalhes, sinto-me impotente...homens dependurados no caminhão de limpeza...café...pão com queijo...lixo no chão...flores esguias, carnudas...longe...a luz relete enaltecendo detalhes até então escondidos...tento não esquecer mas esse que escreve nunca será aquele que irá lembrar...brisa fria de início de inverno...criança tosse..caixas metálicas cospem e engolem gente...pétalas de pura volúpia pendem de um lado pra o outro ao sabor do vento...ali no outro lado da estação com o olhar tomado pelo sono observa-me intrigada...moscas sobre o pão com requeijão...nada melhor do que contemplar...o rio corre incansável em sua eterna imobilidade mutável...reencontro rápidos...a velocidade aumenta...a felicidade vem para poucos...o lixo não pára...fluxo lento...aqui uma fenda se revela...o passado diante dos meus olhos e não posso tocá-lo...na ponta dos dedos ainda persiste o pólen da flor negra...o homem com a vassoura trabalha lentamente...o sol avança...a menina aquece o corpo na luz solar...um espirra...a realidade vibra dentro de mim, atravessa-me deixando em minha carne um sentimento de pura estupefação...mulher com arma na cintura...o sem-teto seminu acorda e olha ao redor...vozes...torpor!
ontem frio, explosões, fogueiras...retiro-me do mundo...minha vida é uma piada grotesca...canção morta...deixe as máquinas ligadas...o menino tropeça, cai, desmaia e tem a cabeça esmagada por um ônibus...deflora...antes perfume, agora fedor...engula suas excreções...o rídiculo reina...até a simpática ilusão de estar livre sem sê-lo é por demais dolorosa...minhas grades são minhas convicções...lençol pesado...falsa guerra...mutilados reais...numa palavra toda a definição da vida; mediocridade!...hoje quente, pés gelados, tédio, questionamentos vazios...longe, tudo longe, sempre inalcansável...da janelado do segundo andar vejo a rua molhada e semi-deserta...ao longe o eco obscuro da raça humana tonitroa...sono...um dia, uma madrugada com intensidade, velhos amigos e basta...ás vezes penso que esqueci tudo...as portas são fundamentais...meu copo nunca está cheio...boca dormente...não consigo me concentrar...atravessar a massa nauseabunda da realidade e ter nas mãos a dádiva suprema da criação...mudez...surdez..cegueira...sem vontade...sem gana...não acreditar...não tentar...a pele coça, minhas unhas sujas de sangue me lembram o passado...nervos podres...sem ritmo...sombras...vamos! depressa! todos ao trabalho! vocês estão mortos!
24-06-2006

segunda-feira, 14 de maio de 2007

o olho treme...mesmo na doença o escárnio prevalece...angústia voraz...um noite vazia e poema...na câmara mortuária sinto minha face esquerda congelando...Walt Withman me cochicha maravilhas em meu ouvido...e sente e vibra na manhã de domingo...ás vezes a vida insiste em ser uma ressaca...a palavra dilue-se, minha verve entranha-se no real...dimensões dentro de dimensões...a sexagenária agarra-se a grade e vê a vida passar com olhos tristes e embaçados...páginas no chão...anuncia-se uma nova era...sou completamente imperfeito em tudo que faço...com o inverno vem o doce aroma de putrefação...gordura avança...chão frio...que venha a solidão e todas as companheiras...minha casa fede...nada merece atenção...todas as estruturas soltas...a vida treme...a vida fenece em minhas mãos...nuvem cinza nunca passa...ferrugem...tenho nojo do que como...o gato boceja e procura uma posição melhor pra dormir...venha e me faça desaparecer...a palavra é pouca...autismo...temor...moscas...urina...peixe podre...fossa estourada...cães ladram ao longo da tarde...uma pena de galinha vai pra lá e pra cá acariciada pelo vento..formigas...a moto-serra não pára...inexistência! inexistência !inexistência!...tudo ao léu...sangue escorre da boca...cicatriz...caos...
junho de 2006
todos os dias ajoelho-me diante do esterco humano...todas as noites são de pura agonia...nariz escorrendo...um amigo no bar é alvejado por uma saraivada de balas, ali sentado , morreu sem saber de nada...minha voz ecoa na noite...um embrutecimento visceral surgindo, lento, voraz, tomando conta de tudo...um coração de plástico quase murcho flutuando na mesa de mogno...quem lembra de quê?...minha memória é uma sucessão folhas brancas...todos os instantes são de puro louvor ao tédio...desgraça, desgraça, desgraça...catarro...fuzila, fuzila, fuzila...tem pra todo mundo...dá e sobra...pernas doem...muito sono..funéreo...da vida quero muito pouco...tosse...completamente fraco suporto o peso cruel da vida...tantas janelas abertas...pesadelo...agulhas fincadas no peito...daqui a pouco é amanhã...insatisfação...frio, gélido, morto...desbravo o mundo com sutileza...paredes mofafdas...hoje não tem brincadeira...ninguém tem poder...hoje é resquício de algo inexplicável...amanhã neurose...amanhã cegueira...amanhã ruína...amanhã caixão...amanhã pesar...compre sua cova e sorria...o passado lambe minhas entranhas e sorri...agarro meus trapos...esqueço minhas raízes...só...beleza morta...vida fútil
tudo bate em mim, atinge pontos nunca explorados...o som amplia-se e penetra...arrepios de pura emoção vindos da tv...sou traído pela vida...angústia...manhã nublada...uma facada no lombo e tudo se acaba...sinto um peso horrível me puxando...revolta natimorta...palavra espalhada pelo ermo...desdém...agulhas..ontem um comichão, um mar de veias pulsantes, um tremor assolava-me o peito como se algo novo estivesse prestes a explodir...venham até a mim e digam qualquer coisa...trincando os dentes...fraqueza...inexistência...reverbera um som indefinido...caverna...viver é ter fronteiras...todo dia um novo muro...chuva fina...claridade machucando os olhos...por um momento, um lapso, a eternidade de um segundo, penso estar um pouco feliz, mas, acaba e volto ao mundo cruel que tanto odeio...pulso inchado...feridas cicatrizando lentamente...seja estúpido...engulo espinhos com facilidade...cafetão...resignação...sem energia nenhuma...fincam os dedos na carne...cego...dor de cabeça...acordo no meio do dia quase morto de calor...percorro a cidade...quase não encontro o caminho de volta...não sei, não sei, não sei...alguém mexe na maçaneta...fumaça de cigarro...irra...descontrole...grandes nuvens banham a cidade...acordo...sofro...
por todos os lados são limites...às vezes penso ter saído da pocilga...o domingo é pura luz mas fecho as janelas e as cortinas, escureço meu mundo...quero um novo mundo...compaixão é uma morada a sete palmos...cuspo no espelho...desejo ser normal...minha palavra escorre, desliza pelos liames da realidade...cupim avança...daqui a alguns dias volto pra caixa ergonômica...face tremendo...pequeno tumor na côxa direita...entendo todas as diretrizes mas são como espinhas atravessadas na garganta...pego a menina pelo braço e digo para se acalmar pois o caminho será longo e díficil...minhas mãos me acalmam e me enfranquecem...mue corpo é pura erosão, quero riscar meu corpo...ser o que não posso ser... ter outra voz e ser novamente aquilo que era...palavras ao léu...foormigas passeiam ordeiras dentro de um pão dormido...peso muito peso...daqui a pouco brocas perfurando o osso...é incrível como a beleza tem várias facetas...nuvens cinzas pesadas quase acariciando a terra...pessoas sumindo...perco-me na alagaravia das coisas...uma parte de minha alquebrada essência padece em esmorecimento...universos paralelos...crueza...a noite que me espera é grotesca e repleta de peso...quem me dá o empurrão para o próximo abismo?...tudo é uma falha imensa...sangue desce...ácido...mãos formigando...

domingo, 13 de maio de 2007

língua amarga...palavra que escorre...mãos amarradas...infância retorna...corpo não aguenta mais...sol, sol, sol...uma coisa puxa outra...sem nervos...criança pede esmola...ressaca...a vida indo embora, indo pra não sei onde...creio na dor...olho no lho...pancada no osso...motor roncando...goteja, goteja, goteja...mais uma vez o portão é aberto...língua pesada...qual é o seu verdadeiro nome?...realidade funesta...cadê minhas armas?...passos na escada e não é ninguém...dentro de mim um silêncio de mil vozes...sem paciência...ontem foi puro prazer...nunca descanso...dor de cabeça fina...amplamente só...cuspindo fel...admoestando todo o meu corpo...não sou bom de contar histórias...nego toda a existência...reviro minhas cicatrizes...insisto no sentimento...meu caminho é de lama repleto de cacos de vidro...dentro da casca é melhor...de repente silêncio...conjecturo cerca das coisas que flutuam deliciosamente dentro de minha cabeça...joelhos doloridos...pra onde vão tantas pessoas ao mesmo tempo?...o que sentem cada uma delas?...esquisito...preguiça...quero sempre e mais forte...o mundo quer me engolir...meu reflexo é triste...tantas perspectivas...nauseante...monto num cavalo de aço resfolegando chamas e tonitroando, solto meu último fôlego num grito tenebroso e gutural, lanço-me nos braços cálidos da noite...
abril - 2006
o inferninho nunca esteve tão quente...a cidade defeca no rio até o fim dos tempos...sinto a sorte do corpo esmorecer...olhos vermelhos...nunca há semáforo em minha estrada...ali atrás caio perfeito, levanto-me e conserto...nuvens pesadas aproximam-se lentamente...as coisas parecem ruir de uma hora para outra... aqui brisa fétida acaricia a carcaça extenuada...tarde vazia...cansaço arrebatador...ainda sinto o gosto de carne branca na boca...leio, leio e é mesmo que nada...a jangada flana na maré seca ao sabor do vento...mormaço...não sei do que será minha vida...as meninas dizem up-today...o pirralhos dentro meu coração gritam escárnio, voracidade...o bafo lânguido da doença repousa em meu tórax...uma garça de alvura impecável atravessa a cidade...completamente inepto deixo-me levar por uma avalanche de pensamentos que só aumenta a incapacidade de reter a palavra na página...às vezes qualquer coisa é bom...tem alguns dias que nada presta...bocejo...não fazer nada, não ser nada...o verme que há em mim corre por nécrópoles acordando todo os fantasmas...na tarde nublada penso em dormir...espero a verdadeira vida e ela nunca chega...a cada peça que cai do tabuleiro engulo seco...as unhas esquálidas de Hela arranham o vidro de minha janela...o sol se vai em meio a uma cortina de chumbo...brisa de fim-de-tarde...fogo
agora é um flash-black, um retorno ulterior ao âmago da vida...não quero pensar...a voz no telefone é fria, distante e triste..o que me resta são cacos... não entendo a felicidade...na mesa ao lado os talheres trincando...quando fecho os olhos vejo-me diante de uma piscina imunda repleta de sapos e dejetos humanos...minhas unhas sujas me envergonham...não quero felicidade, quero tranquilidade...limpo minhas mãos diante da vida árdua que se eterniza...caústico...um dia vazio, uma existência oca, um sono mortífero...porquê não consigo ficar calado?...vibro milhares de vezes mas sinto-me parado, quase morto...uns viram a folha...sonhos terríveis...alguma satisfação em quê?...a tranquilidade não mora em meus olhos...durmo um sono recortado de preocupação...tudo são dimensões pessoais...o tempo voa rasgando minha face...a idade massacra minhas juntas...língua amarga...olho o auto-retrato de uma amiga e fico pasmo diante da perfeição de traços e sombras...é bom ouvir a risada dos amigos...na sala branca chapada de fluorescentes folhas em brancos são preenchidas...destrincho minha dor em partículas tão diminutas que não consigo ver...sinto saudade da ignorância de 28 anos atrás...como qualquer coisa...sempre é um vazio, sempre uma lacuna, sempre uma fenda...mais um dia, mais um grilhão

18-03-2006
xícara de café...o mundo em destruição...a surpresa de 6 tiros e você já não está mais aqui...a estrovenga passeia alimentado-se de corpos...a noite anterior foi de deliciosa trovoada...nuvens caregadas flanam sobre a província...pressão altíssima...velocidade extrema...mesmo dormindo não consigo descansar...cães ladram na noite...a face do morto agora expele sangue peças fossas nasais e pelos ouvidos...o que define a vida?...diante da página sou paralisado por uma torrente de imagens..completamente infeliz preparo-me para enfrentar a noite...amanhã a sala gélida de estranha labuta estará um pouco mais calma...meu cansaço é desrepeitado...vou embora e acalmo-me diante da máquina...onde forjar as engrenagens para uma nova essência?...ânsia de vômito...tudo se repete... fogo que percorre as veias...outro fenece no escuro a pedradas...onde vivo a morte sorri em cada esquina...quando vejo cicatrizes na minha pele sou arremessado numa dimensão de pura repugnância...calor...vejo amigos inalando lixo...pedalo pelas ruas do bairro num Domingo, tenho a impressão de estar num cemitério, tamanha solidão jamais vista...parece-me que o fim é chegado...nasci só, morrerei só...minha mãe tosse...gotejar incessante...adeus

13-03-2006
escreva pra não morrer...esqueça pra não ruminar...venha dê-me a lâmina não aguento mais...o que quero é muito confuso, porém, é sincero até o osso...minhas vozes adotaram a mudez...estou completamente só diante de um iceberg flutuando em uma praia africana...vomite para lembrar...lágrima desce do olho...a foice ronda cada vez mais perto...sem sombras...disfarçar só piora as coisas...eu senti, não quis acreditar...sou um tolo...minhas horas de vida são parcas...deixo a cédula...perco a alma e tudo mais...tamanduá abraça...quando acordo é pura merda...minha herança é a dor...ouço a voz de Caronte em meus delírios...agora odeio todas as fases do dia...o disco gira sob a agulha, alivia um pouco, mas ainda dói...sinta pra falir...hoje é sempre ontem...nego tudo...assumo minha culpa de inocente...desfaço os nós que me dão com lentidão...minha casa é um presídio chamado "liberdade"...não consigo salvar minhas tralhas, não consigo chorar, não consigo ter calma...não tenho nada...completamente fragilizado...sentado no sofá esperando a comida aceito a morte...quero nuvens o ano todo...bruma, bruma, bruma...risque qualquer coisa pra não enlouquecer... rasgo minhas memórias...queimo minhas virtudes...aos poucos o monstro vai nascendo...é triste mas é fácil, aprendo rápido...o lodo avança rápido em minha pele...vou-me

sábado, 12 de maio de 2007

reverbera
trinca
evapora

a falência se anuncia

insista
corra
agarre

traga-me três porções
de ócio
ânsia
e saudade

apague minhas páginas
não mereço a "eternidade"

tripudia
ignora
vomita

desordem se alastra
incansável e corrói

sem sonho
sem dor
sem paz
nada, nada, nada!

01-02-2007
grades em tudo
vozes em todas as coisas
olhos faceiros
lábios maviosos

quem vê aquilo que vê
sentir é sentir?
a forma se desprende
e derrete metamorfoseando-se em outros

ferida intransponível
mixórdia ruidosa
timbres penetrando
a mente cansada

outrora sem nojo
neste momento
é pura indefinição
ocaso supremo...

1-02-2007
agora a palavra trava.
não importa o que faça
luz apagada
folha seca
cochichos
olhos sonolentos
nenhuma sílaba
sequer um vírgula
mesa vazia
vegetação escalando paredes
mandalas
nenhum ponto
raiz
ontem foi um berro
disforme
líquido
atordoante
é uma pena não poder
berrar na página
agora paralisia
esmorecimento semântico
quem destrincha?
palavra-víscera
palavra-injúria
palavra-náusea
emudeça
a palavra é que
nos pronuncia

noite - 31-01-2007
a poltrona me recebe
como se eu tivesse
todo o peso do mundo

disco gira
um cochilo me assalta
em meio à melodia

não sinto os pés
e não desepero-me
pois queria ausentar-me de sentir por completo

acordo
sinto ter perdido
mesmo que repetisse não o teria de volta

busco novamente
mas a fuga ignora o meu apelo
deixando-me ao revés do desejo insatifeito

contento-me em minha impotência
aproveito o que resta...
migalhas de vida, dissabores rotineiros

levanto-me
e tal qual zumbi
vazio, morto, irracional encaro o dia

noite - 31-01-2007
poucos minutos
tédio vasto
em busca de sangue
ruídos
tessitura crônica do real

daqui vejo aqueles
que resistem ao tempo
que esquecem o peso
aquecer a pele
na frialdade da rotina

reimplanto espaços
e em chávenas de escuridão
alimento a alma sequiosa

páginas, letras; extrema mudez
a tediosa aventura continua
cada vez mais
paredes
poeira
silêncio e
solidão...


noite - 31-01-2007
azul, azul de um outro azul, violáceo
verde, incrrivelmente planície;
aqui acima de minha cabeça
gaviões mergulham rumo à terra

e de olhos fechados vibram poderosos
filamentos vermelhos em mandalas pulsantes
longe muito longe voz ecoa
agora o corpo é um riso só

nuvens tomam formas geométricas
faces esmeralda, diamantes explodindo
o firmamento transmuta-se num festim
a brisa torna-se uma ondina lambendo meu rosto

os primeiro levantam-se em busca do arco-íris
eu e ela ainda persistimos na sombra
no fundo do vale o outro busca o inaudito
ele não encontra e seguimos adiante

e na mais alta colina
o crepúsculo estronda cores nunca vista antes
a vida sem disfarçe, a vida nua, vida vida
e no último instante surge Vênus diante de mim

vejo e mostro; eles não vêem
e no antro resoluto do silêncio
contemplo a dádiva que me foi presenteada
sinto espalhar-se por todo o ser imensa felicidade

27-05-2004
mergulho na bruma
deslizo pela noite
sinto que serei eternamente só
e não sinto medo de tal fato

talver renascer
e encarar toda merda de frente
pulsando morte
ejaculando vida

e na malemolência do ócio
canto velhas melodias
arremesso pedras ao léu
à toa tal qual pássaro

é tão estranho
é tão belo
aqui fora
aqui ilimitadamente

busco agora nas forjas do meu ser
pepitas de desprezo
drágeas de insensibilidade
busco armas para não perder de mim o que sobrou

nada importa
o tempo passa
nada depura
o tempo avassala

nada melhor
que xícaras de café amargo
que discos de Hermeto
que a visceralidade de Astor

o mundo já não é mundo
o coração mera quimera

17-02-2003
nada peturba
por isto o silêncio
o esmorecer das coisas
a falência dos órgãos

nada dissimula
eis que a merda explode
em delírio real
suspeita euforia

deixo uma parte de mim em tudo
tudo sucumbe
tudo flui
e aquela parte perde-se em meio à outras partes
palavara-serpente
palavra-mágoa
palavra-liberdade

pego a lâmina
desfaço a carne em fiapos
sangue
sangue
muito sangue

labirintos claustrofóbicos
febre vil que avassala
despejo minha merda em qualquer lugar
vomito minha palavra em qualquer pinico

depois um pouco de sono e sonhos terríveis
depois lavar a boca, alimentar-se
e suportar sim!
suportar mais um dia!!!
reviro as tralhas, cacos;
ecos dardejando contra à minha cabeça...
sob o aspecto vil;
insetos rútilos
monstros fantasmagóricos
estripo-me sob o sol
alimento-me do que há de píor em mim

cuspo no espelho
desejo tudo do avesso
e de cascalho em cascalho
miríades de um mundo perdido
deus morto que ainda agoniza...
esquizofrênico rito celebrando a ausência de fé

indecifrável
monótono
abrupto?

elevo as pupilas rumo ao horizonte
nuvens negras sorrindo
minhas mãos vazias esperam o que não sei
cada instante um estupor caótico
língua que trava, garganta seca, palavra muda

ridículo?
infímo?
sequaz?

no fervor do ódio descubro a ternura
tento um novo caminho
acato velhas idéias
ignoro o que o mundo me presenteia
talvez um réptil venenoso
bravo denominado consciência

fevereiro 2003

sexta-feira, 11 de maio de 2007

o tempo voa entre os dedos
a vida esmorece tal qual uma planta desprezada
num lampejo a verve pulsa emergindo mofo
crispando a língua em microchoques de delírio irreversível

bichanos brincam na grama

tenho que ter olhos de águia
paciência de monge
energia de um pirralho
mas sei que morrerei brandindo a flâmula da insanidade

abastado sou tomado por doce sonolência

o tempo desmente a verdade
o tempo surge como uma foice cega e enferrujada
agradeço silenciosamente o frio que me abraça os flancos
meu coração está em ebulição a 10 graus negativos
olhando para o futuro

o fel sobe à cabeça
ao meu redor seres digladiam-se
numa pantomima ilusionista em que todos perdem
o que há de melhor

perdem o riso
perdem a vida!
o homem devora o homem
bebe o sangue
saboreia a carne
aprecia o odor da morte

lâmina em punho
ou com as próprias mãos
não importa como
destruir destruir destruir

o mundo é um ferétro
louvor à cova
marcha bizarra
descontrole total

ver o osso é a glória
lamber o osso é o frisson
o menino sorri com o osso na mão
fiapos de cadáver entre os dentes

04-05-2003
sob o sol
registro minha angústia
aplaco últimas esperanças
na ânsia de nada

ignoro meu rumo
mesmo vivo
sinto-me morto
aquém de tudo

minha palavra é lâmina
estripulia caótica
peçonha enérgica

busco-me no espelho;
um fantasma ri...
atacado por insânia
sorrio sem causa

desvairio a desvairio
torno-me um autômato
cego surdo mudo
mera reniniscência atroz

23-10-2002
fome malsã que rompe as vísceras
leva a crer que tudo é sorver
e nada mais

satisfação espúria
indolência sequaz
membro doendo
fulgor abraçando
resquícios de lucidez
mundo que se liquifazendo
torna-se irremediável paradoxo

regurgito na mesa
nas páginas
nas paredes
no ventre dela
não o que sobrou
regurgitei o inexistente
pior que tudo regurgitei vida!!!

21-10-2002
cansei de migalhas
mas recuso novo caminho
saboreio o lixo
e aguento mais um dia

não sei do que preciso
não quero o que me dão
não ouço as palavras
não vejo as ruas

sinto hoje, sinto último dia
sinto escorrer do corpo
a essência da vida
eu-deus eu-vida eu-morte

empunharei meu cajado
um estrondo
e tudo já não é
um brilho e tudo já foi

não consigo outro rumo
tento mas retorno
o macabro como fonte
a morte como redenção

23-10-2002
quisera iludir-me
e na quimera
satisfazer a alma
que sedenta quase morre

mas refuto tal arquétipo
pois nunca morre a sede
nunca acalma a úlcera
e devora devora e devora

sei que este sabor engana-me
fogo-fátuo repentino
deleite primitivo
o resto é desassossego

engulo cada espinho
cuspo o fel na parede
arroto na sala
peido na mesa

porém continuo preso
em minha jaula
continuo faminto
em minha trilha

23-10-2002
lamento a prisão
desperdiço liberdade

nas sombras delicio-me
ao ponto de esquecer
que do ventre explode um mundo

globo ocular que pulsa quase vivo
no negrume do asfalto
pulso redivivo, hipótese antagônica
do que chamam vida

híbrida ruína
de crer sem ter fé
de ver o vazio da humanidade
eclodindo tal qual larvas
que lentamente consomeme a carne podre

o mofo me faz cócegas
destila em minhas mão
anfôras límpidas
repletas do mais puro rancor

15-10-2002

quinta-feira, 10 de maio de 2007

caio em devaneio
fujo do rito
engulo cuspe
ameaço ir

devagar sinto
divisões amargas
coração pulsando morte
dilacerando a palavra

finjo vitória
pesadelo após pesadelo
suporto novos dias
repudio minha face

beijo a latrina
flor maldita
ânsia modorrenta
negra dor

minha língua
beija o vento
doem as pústulas
a alma grita

18-10-2002
onde repousa a verdade das coisas?
ás vezes acho que nada existe
por isso a ausência de sentido
é uma constante que avassala

tremo diante do espelho
fantasmagoria rútila
imensa, horrenda sina
total descontrole, fim...

a realidade é um caco
despencando lentamente
uma falha, micro-barbárie

o caco é uma fábula
gota delirante
sonho mutante indelével

pior mesmo é despertar!

23-11-2001
eis que a língua vibra
a melodia liberta-se
em miríades, raios
tento na palavra o que perco na vida

farpas, cacos de um mosaico imperfeito
esqueço dos pesadelos
limpo as coisas, alimento a rotina
olho dentro do meu olhar o que perdi aqui fora

víscera exposta
ferida aberta
viver tornou-se uma maquininha de lembranças
cada vez mais fascino-me com este caleidoscópio

agora outro
ontem sempre eu
ainda estou vivo
posso a gritar a plenos pulmões

não quero que o mundo me ouça
basta-me que "eu mesmo" me escute
não quero que o mundo me veja
basta-me o espelho quebrado de minha casa

26/27 novembro - 2001
o falo hirto
pulsante
coração cilíndrico
a vulva úmida
alagada
macia
portal
delicioso abismo
o falo tenso
a vulva calma abraça o pau quase morto
basta o calor
a extrema sensação
um segundo
tudo
acaba
desmorona
desfaz-se
liquidifica-se em dor
esquizofrênica letargia
no vazio da harmonia
escutar as vozes
no vazio da palavra
renegar as visões

é que este vício maldito
de lamber pétalas dolorosas
trava a língua
enrijece o corpo

mas quero esquecer de tudo
e escutar o barulho do teu ventre
e lamber tua concha úmida
aconteça o que acontecer

assim sentirei o afã do viço
cordas que vibram energia
músculos pulsantes que enfeitiçam,
sono revigorante...

25/26 setembro - 2001
tem dias que a surpresa devasta todas as certezas
lembro de uns tempos onde o vazio da existência
era longe como um eco
talvez demore séculos até que eu me acostume
a este mofo que cobre tudo

miséria infinda dentro de meu peito
vagas de dor em todo o meu corpo
fuligem como máscara
destruo este que sou na ânsia de morte

o espelho diz que sou fraco
fotos antigas nas paredes sorriem de minha desilusão
rasgo-as mas elas retornam piores
afiadas como navalhas bailam em minha pele
o ciclo se repete
veneno
tristeza
ânsia mortífera
escuto um lamento soando na tarde
melancolia infinda
meu peito abriga agora um seixo
reles pedra
lâmina sem gume
insípido vazio
bruma abraça o céu
num momento ópio
noutro despertar impotência
é que simplesmente
nada tenho
nada resolvo
nada sou
pois o homem vale o que tem...
os grilhões
quero que eles explodam
os olhos
quero que pulem das órbitas
as mãos
quero que apertem a jugular até o fim
os pés
quero que sangrem nesta senda tortuosa
os ouvidos
quero que estourem ao ouvirem qualquer voz

mas que adianta?

os grilhões
continuam cada dia mais sólidos
os olhos
ajudam mais em minha subserviência
as mãos
não passam de terreno fértil para calos
os pés
maquinário quase defeituoso
os ouvidos
latrinas onde a merda não pára de entrar!

23-08-2001
as cores tornam-se difusas
meu olhar é oblíquo
tento desviar-me da tristeza
sentir nova sensação

frio sinto como senão sentisse
vou ao sabor do vento
sem rumo, sem força
lábio seco, boca amarga

acima da cabeça
firmamento movendo-se
abaixo do queixo
langor que destrói

26-08-2001
sigo as regras
mas não basta
insatisfação contínua
nascendo dia-a-dia

há dias sonho
luto inutilmente
findo acordando
afogado em dor

só e doente
fé em mim?
ausente de tudo
desligo a tv

ontem dormi fora
hoje lágrima vibrou
triste canção
verdade brutal

um passo
tudo acaba
um sopro
tudo retorna

quem dera
não ser assim...
oásis ditancia-se
luz cada vez mais forte
enorme serpente
banhando-me em veneno

esvazio-me
fujo do mundo
e das pessoas
esfacelo cada partícula sobrevivente

o tempo p a s s a
eu fico na dimensão-modorra
eu atravesso navallhas de gelo
engulo brasas amargas

tudo que tenho
é e não é ao mesmo tempo tudo e nada
tudo que falo
tíbia quimera no romper dos dias

ó fado espúrio
liberta-me de teu enleio
porquê no meu peito não cabe mais tanta dor
que de irritado já ando quase morto
todo ato benigno
germina merda
floresce dor
estoura as têmporas

carícia dissimula-se
em falsidade exclusivista
corpo dói
nojo nasce com força temporã

bruma nuvens chuva
ânsia profunda de ser húmus
alma em colapso
mente em desvairio

tudo mas tudo mesmo
fora de controle
dentro de uma loucura
dentro de insuportável dor

toda tentativa é falha
o parezer algo inacansável
como tuod o mais
como sempre foi e será
no desejo nasce tudo
do devir espero nada

na ressaca entristeço-me
lembro do que fui
enojo-me do que sou
beijo a privada, despenco

um em mim jaz morto
vez em quando reage
tentando a vida
sabe-se lá com que intenção

e uma imensa crise alastra-se
acordo-me molhado
acordo exausto
vida sem afã

corpo-moléstia, alma-ruína
quimera, sonho, loucura
afundo-me mais e mais
cotidiano-masmorra, dor

contemplo minhas rugas
toco em minhas cicatrizes
tempo perdido nas vagas tempestuosas da solidão
mão trêmula a tocar o espelho... desgosto!

na migalha simplória satisfação
na fome o eternizar da miséria

o morto sonha
implora por liberdade
o vivo sofre
clama por morte

círculos, ciclos indeléveis
cada minuto, cada segundo
o mistério aumenta
caos sorri avançando na pele

quisera mas não pude
o olhar perde-se
na imensidão
do horizonte
brio partido, língua seca

desço os últimos degraus
limo traiçoeiro
a última queda
o último sopro

enrolo-me no mofo
apago a luz
adentro o mundo do nada
esperando nunca acordar

esperando...
esperando...

agosto 20001
a lucidez
maldita
mil vezes
maldita
esta sim
indubitavelmente me pertuba

já a ebriedade
bendita
bilhões de vezes bendita
é o único refúgio
anfôra de límpida água
a devolver-me a vida

e mais
não tem mais nada
só isto
e
pronto!

20-08-2001
ás vezes penso que me engano
e no antro doentio que cura
a surpresa se faz presente
digo com os meu botões que já não sei de nada

outras vezes fechos os olhos e sorrio...
tentando ser feliz?
fugindo do tartamudear do insosso real?
quem sabe, talvez, pois é, né?!!

numa brecha, a luz
num momento, a bruma indísivel do destino
uma página que vira
olhos que se fecham

07-2001
indisposição para qualquer coisa
indisciplina pra tudo
haverá sangue nas veias?
agora, sinceramente, não sei
nem sangue
nem idéias
como é difícil suportar o marasmo que tornou-se a vida
cansado, faminto;
não suporto este mis-é-scene que é o cotidiano
anafranil descendo pelo esôfago
boca amarga, boca seca, boca solitária
é tão estranho e doloroso o sorriso das pessoas
penso que tudo é disfarce
o humano morre em mim
o animal despede-se
o fulgor da juventude já é uma eco longíquo
agora a máquina leprosa repousa
depois mais peso a ser transportado
e de migalhas farto-me...
como se fosse fuga ordinária
sonho com a morte
é o mesmo que alcançar o nada extremo
não morrer porquê morrer é outra coisa que não sei
esqueço que vivo
autômato
cego
a língua descansa sedenta, pesada, quase imóvel
meus pés parecem chumbo
minha voz algo insuportável
quisera morrer
quisera voar
quisera explodir

23-07-2001
acerco-me de tudo
porquê existo
porquê vivo
mas
não importa a verdade
não importa o falso que há
embora
o que se entende por ser
seja seguir as regras
e dentro das delimitações destacar-se
pois é disto que não preciso
super-ânsia: não!
super-verbo: não!
super-teoria: não!
não basta
não resolve; a práxis vedadeira uma quimera utópica...
o ínfimo é e ainda será o particular ao "homem"
neste torvelinho de merda que é a vida
divirto-me com a fome
abraço a ergonomia brutal como musa
aqueço-me nas gotas que caem
tento, por fim, viver numa câmara escura
sem sonho
sem idílio
sem prazer
sem nada...

13-07-2002

segunda-feira, 7 de maio de 2007

melodia suave...redemoinhos dentro de mim...brisa artificial desliza suave na pele...silêncio brota...vozes interiores também vão calando-se pouco a pouco...dessemelhante...vislumbro a estrada...a música vai acabar...uma frase engole a outra...as imagens carregam minhas dúvidas...uma vida arrota outra...nunca mais cinema...estômago ronca... números, números em toda parte...tento ver no amontoado de roupas sujas a experiência de cada uma; seus dias, noites, suores, risadas, encontros, desatinos, harmonias...estrelas no teto...nada é tão diferente...cada palavra, cada imagem é uma ode à liberdade...tenho medo do vômito não parar...um balão de HQ grita dentro de minha cabeça "consequência é pra gentinha"...música volta...sinto algo furando minhas costelas...não consigo destilar as vindimas do destino...língua cortada...não sei da vida tão pouco sei sobre a morte...música me joga no fundo do poço; eu me encolho, agarro meu lençol ouço até adormecer no chão frio de minha senda...
desvirtude
líquido desce
leve tensão
não há vitória
desde sempre um transtorno
é isso que a vida é
um enorme erro na superfície existencial

lá as marionetes não cessam os movimentos...
brisa suave entre as fendas das paredes de plástico
descoloração
eu ouço mas não escuto
entendo e me arrasto no chão da sala
não resisto e adormeço ali mesmo

meus dedo brincam com uma fita de seda negra
felino passa correndo por debaixo da mesa
repasto
algaravia
vozes
cores

derrota sempre presente
um intervalo na dor
um replay pra tudo que acontece
um slow pra qualquer coisa
onde estou é que importa
pele branca
tudo ao contrário
sinto-me repleto
destrinche
minha palavra em tua língua

eu
calo
a
boca...

16-08-2006
ir pra onde?
como?
quando?
velhas canções atropelam-me
o tempo inexiste
por alguns instantes
por algumas partículas indecifráveis

as portas vão se fechando
deslizo no lodo
o leito é frio
meus sonhos são abundantes;
"converso com um vira-lata"
"mergulho em águas escuras"
"perco-me em uma casa velha"

voltar?
onde?
adormecer?

os dias são curtos
lembro e não adianta nada
a correnteza continua
esqueço
esqueço
esqueço
quase livre de mim
ainda olho-me no espelho!

5-07-2004
até onde minha palavra é minha?
a imagem de qualquer coisa aliena-me do cotidiano.
o que sai da minha boca é o que rompe do outro lado da rua...
nas nebulosas que repousam entre os minutos
bebo uma essência rara...

noite fria do campo
natureza pulsa
desde quando o belo é meu?
aceito o que sou...
no momento é extremamente isto
já transmutando-se em outro...
doce canção soa na cozinha...
amanhã o concreto nos espera...
se o presente não for temperado de saudade não será!

louvam o genes...
nunca homenageiam os vivos
só os mortos são dignos de tal bazófia...
mesmo aqui não esqueço do que me espera...
clamo uma lembrança da inffância
linda , cheia de cores,
um lenitivo para esses tempos tão confusos...

risco uma página e jogo no lixo...
palavras saltam da pele...
incrivelmente sensibilizado escutos vozes amigas
vozes queridas ao redor da mesa...
será que chego em casa?
tudo estará em ordem?
apostamos sempre no vazio...
nosso próximo passo é no escuro
nada nunca é o mesmo....
luto contra o sono
contra a vontade de desligar
busco refúgio na palavra
contemplo o fim da existência de um amigo
antes luz, agora só sombra...
escorre peito abaixo junto com gotas que sobraram
da boca passando pelo ventre
e espalhando-se no chão
quem dera solidão e uma musa companheira
cansei de ser só

fantasias dilaceradas
quando serei outro?
uma pergunta, mil labirintos
quem continua o quê?
minha energia devora-me
grito contra o espelho
vejo cenas
esqueço das farpas
engulo páginas
e arroto sonhos
piso no que sobra e queima a sola dos pés
nunca, nunca mesmo o controle
sempre esse desvairio de absorver tudo

a casa grita e me regurgita
peço pra ficar mas não adianta
telhas voam contra minha cabeça
desvio-me de umas
a cabeça sangra, a casa sorri, olho pro céu
vou embora
sonhos morrem com o alvorecer

a foice passseia...
rosa vermelha tatuada no ombro esquerdo
arame farpado
insetos
nunca estou
sempre insastifação
adequadamete caótico
podem rir
não tem problema
derreto...

2007
no sangue a potência do álcool
tudo bruma
sensação ilusória
corpo doente...
não assimila
sanguessuga
fraqueza

sem lembrança
esquisito não poder lembrar
mancha
revés
melífluo
se pisco a palavra surge
se é silêncio a palavra pulsa

requiém
não concebo a possibilidae de futuro
energia
espirro
chaves no balcão de mármore
tudo tão longe
tenho pouco tempo
não tenho tempo nenhum

renda cinza e pele negra
centelhas de uma suposta felicidade
no cérebro a dor da ressaca
vem, vem e consome minha paciência
vem e me acorda
a cada passo me perco nos melindres do viver
no peito agulhas, agulhas e agulhas

vazio
aqui a melodia toma rumos delirantes
dói calcanhar
sono
assombro
momento azul, luz diáfana, gestos nervosos, sufoco!
era pra ser tudo perfeito
busco um lugar confortável
boneca desgrenhada
os dias emendam-se, formam uma grande elipse
onde vacila a existência

tem palavras que não quer sair da boca
persistem em ressoar
num tinir
num sobreviver a revelia
eis os últimos acordes
é delicioso ver por entre frestas...
o homem vincula-se.
esta coisa indefinida
que alguns tolos intitulam alma
grita contra os limites

a víscera treme
arqueja em meio ao tédio
limites aqui
opções acolá

libertar-se sem esquecer
o caminho, a dádiva.
desesperança, dor,
parceiros eternos

o homem come a própria merda
vislumbra uma história de nada
janelas que se fecham
casas que caem!

06-12-2004
o rio escorre
palavra pulsa
corpo reclama
voz emudece

aqui?
ali?

separo tralhas
sinto a distância
maturando desejos
coagulando a força

lá?
cá?

deformo tudo
escapo mas não fujo
leio inexistência
sonho ida!

22-02-2007
jaz em meu peito
ânsia
sonho e desespero

quando acordo
ressuscita em minha mente
ferocidade
intempérie

e
continuar firme
na senda tortuosa do viver!

3-03-2007
a luz do dia agride
rejeito congratulações
aqui
a mesma cena
o mesmo lugar

peso
doce apatia cáustica de beira-mar
risível
crise
vontade sonolenta de inexistência

disfunção
remover tudo que não é útil
incapacidade
tosse seca
suor frio
mãos gélidas

amargo, insalubre
descontrole
inferno
o saudosismo repousa em meu peito
nada novo me agrada
é desgraça que não acaba mais
extraio
de minha pele seca
o
sumo
para matar a sêde

isolado
em comunhão
com
o nada

vislumbro o horizonte
e
sorrio!

20-12-2006
flutuamos na realidade
todos com drágeas
todos, todos, todos
cartas, suspiros,
vinho e algo mais

agora não há vitórias
de fininho vamos vencendo
agora não há derrotas
um vê e não vê
outro contempla
o doce vazio da existência

daqui a pouco
artefatos ilusórios
quem sabe um sorriso de 72 horas
você sabe
ela sabe
todos sabem
hoje todos sabem sobre tudo...
perco-me
no langor dos dias...
não sei o que me tornei!

leviatã de mim mesmo
devoro-me
com ânsia brutal

e quero apenas
a diáfana transcendência
das horas metamorfoseadas

em dimensões
de puro deleite

12-04-2006

sábado, 5 de maio de 2007

esteja onde estiver, não quero ouvir mais nada, cansei de suportar todos os podres, uns riam da minha cara , eu engolia calmamente cada zombaria, segurava os nervos o máximo possível, mas ao acordar arrependia-me por manter-me civilizado e ordeiro, como dói o arrependimento, ninguém entende a dor, a lâmina trespassando a víscera, a pedra quebrando o dente, a espinha atravessada na garganta, o gosto de sangue subindo, o ar que falta, o tremer das mãos e o eco maldito dos sorrisos, cada risada pior que a outra, mas todos sabem que não adianta mais sempre nasce outro e a ironia é pior, um dia eu crio coragem e lasco tudo, fodo de vez com essa merda toda, é quem sabe um dia, quem sabe não seja só conjecturas de uma mente pobre e delirante, melhor ouvir um disco, tomar um chávena de chá gelado, sentir o frio do cimento sujo na planta dos pés, a dormência na pontas dos dedos como se um fosse um mal que se aproxima, melhor dormir e esqueça esses merdas e seus sorrisos em minha cabeça, seus olhos tal qual escrutinadores de alma, esbugalhados querendo saber tudo a todo instante, durmo por quê não sei o que me espera, durmo pra sobreviver na esperança de não acordar!
no fim das contas
sempre sou o perdedor
aquele que vê a desgraça
e já não se importa mais

não tenho lar;
meu peito arfa
completamente cego
dou murro em ponta de faca

e na rua onde
o tempo se mistura
derreto em transe
descanso inocentemente

penso que é mas não é
mesmo não sendo
acaba tornando-se
tudo aquilo que queria

uma melodia rasga a noite
o trabalho me destrói
o sono me prega peças
a palavra me alivia...

10-03-2006
faça do grito
a resposta
que emana
destruição
e parto

descumpra as regras
passeie no mar de vultos

minha língua está seca
o ar empesteado
turva-me os olhos

mate, mate, mate
tudo que há
tudo o que não é
pra ver se
compensa ou não

gosto de sangue
invade a boca
me pergunte
pois não sei de nada...
o que vejo é
falso
verdadeiro
mutável
volátil
duro como pedra de rim
querendo sair.

o que sinto é
belo
puro
enérgico
lindo como um beijo
na testa.

quando fecho os olhos é inspirador
mistério
magia
veludo macio abraçando
o corpo cansado...

11-06-2005
anacrônico
disforme
inválido

a vida me mastiga
com dentes podres
com dentes afiados
e me cospe

de qualquer jeito
qualquer lugar
ah! doce sarjeta
lar inestimável

obtuso
descrente
moribundo

recolho as fezes
e os papéis úmidos
de urina feminina
e vou pra casa

insônia, cansaço, tremor
desesperança, nostalgia, caos
resignação, apatia, penúria
minha cama é de solteiro
minha alma casada com a dor

sempre o mesmo palco
paredes velhas
páginas amarelas
teias de aranha
vez outra
dor de cabeça
quase sempre fome
sonhos pertubadores

a poesia não me quer
a vida me repudia
o fracasso me abraça

acato a miséria
meus farrapos
minhas garatujas
manhãs insatisfatórias

bocejo
a febre não cessa
o sono não chega
por um instante
vejo lâminas enferrujadas
rasgando a carne

há dias não sinto

páginas queridas
longe de mim
ebriedade nula!

noites vazias!

pior é saber
que dentro de minha carcaça

angústia
ruína
solidão!

08-10-2005
episódio fatídico
vida em ilusão
morre toda ternura
coração ferve ódio

tudo se repete
as mesmas armadilhas
delícias venenosas
noite fria matando-me

pra mim não há vida!
além inexiste.
profundo nada se espalha!
minha muleta despedaçou-se!

08-10-2005
digo morto
ouço podre
vejo cego
amo dor

verbo rio
jamais calar
aqui rumor
ali ócio

peito treme
não adia
não segura
livre! livre!

fecho olhos
crime, pudor
nervos frios
lábios secos

pele fraca
falo murcho
ódio, ódio
ruína, ruína!
o que é meu
nunca é
o que é teu
escorre por entre os dedos

rumo ao ralo
universo infecto
de si

o que é nosso?
isso já é uma troça
piada no meio da feira
que ninguém escuta

partilhar o intangível
sentir o vácuo
resvalando na face

quem tem?
quem perde?
deixe como está
siga, vá em frente!

28 - 04 - 2006.
força e palavra
desordem e gozo
não quero sua voz
nenhuma imagem

mergulho na fossa
e daí?
qualé o problema?
foda-se, sai fora

na parede velha
faces enferrujadas
tujdo péssimo
cada coisa

a escória desfila
razão dissolve-se no ar
a utopia vibra
desgraça incessante

nem vem que não tem
não vai pois não dá
esqueceça tudo
esqueça e morra...

16 - 08 -2005
simplesmente tento entender
as cifras, os códigos, os símbolos
mas tudo escapa deixando-me no escuro;
faço do antro úmido minha silente morada

lexotan desce suave

a placa que paira na estrada
não diz nada
o barulho dos pneus no asfalto
me chamam pra longe e não mais voltar

blues de Ellington na manhã

calcino minhas lembranças na privada
durmo como uma pedra
até os fins dos tempos sem consciência
amanhã desperto e não acordo

além da parede calor insuportável

no gelo da reclusão engulo espinhos
o coração parece um tanque em frangalhos
o que fazer? pra onde ir?
não importa, nada importa verdadeiramente!

8 - 03 -2005
a terra completa seu giro
noite engole o sol num manto de chumbo
relâmpagos na serra
tempestades em minha lama
dor que não é dor
sofrer que parece alívio
imagens recortadas
silêncio fúnebre
eu completo mais um dia de pura inutilidade
coração que palpita perigosamente
mente cansada não engole mais as coisas
apenas deixa passar, que pousem em outro lugar
calor no braço esquerdo que passeia
tal qual um velho em sua caminhada matinal
agora é momento de abismo
tanto quanto é de contemplar planícies
e também de obedecer a palavara quando pulsa
querendo sair e aliviar, sair e purificar
belisco a ferida da vida
mas não há mais curiosidade
cada ciclo é sempre o mesmo novo
cada revolução um completo marasmo
hemisparesia na face esquerda
me chamando pra não sei aonde
ócio lambendo minha glande
espero o pior e nunca chega...!

21 - 02 - 2005
bons ventos
porém
nunca perco a desesperança
nem esqueço da picardia

a sutileza do dragão
e seu hálito destruidor

fome, fome, fome
a face congela
a energia não dorme
algo está sempre
no encalço
resfolegando
incansável

recuso à vida em vida
destilo a memória até o fim

uma nova página
a velha prosa de sempre
palavras que se misturam
confusão...
perdido na noite
atestando que aqui
ou em qualquer lugar
a noite é a mesma

um teco
e não é lá essas coisas
um copo de dreher
"bons amigos"

o dia vindo
tudo
indo
embora.

Rj. maio.
o barulho do vinil
fazendo emergir doce melancolia da carcaça que jaz cansada
as crianças anunciam a paz
a paz acaba quando nasce

vislumbro a noite
adormeço na manhã
copos palavras achaques
quebro a ordem
louvo o caos
a dor sempre retorna ao despertar

desejo a segurança doentia
de uma sala hospitalar branco-marfim
todos aqueles aparelhos
para manter-me morto-vivo
mas não
alguém sempre abre a porta
deixando o sol entrar aqui!

24 - abril -2004
rio de janeiro
extrema fadiga
sol avança
tempestade ameaça mas não chega
fome devora
gata dorme ao longo da tarde

vejo o passado recente
lembro do presente há pouco
serpentes alvas espalham energia trevosa
risos ao redor
dentes rangendo
mãos gélidas

exterco flutua vaporizado invadindo o ser
olho a cidade pela nesga da porta entreaberta
divago em garatujas intraduzíveis
os dedos são rápidos, eficientes e calmos

roupas sujas na cerca
cada dia é um engano de pura verdade
disfarçoa dor
assuto-me com meus sonhos

farelos na página
quero e não quero
vivo e não vivo
morro e não morro
o lodo luta
e destrói seu criador.

18-04-2004

descrição onírica

estava na praia, deposito minhas coisas na areia e mergulhva, a maré enche repentinamente, molhando as coisas, corro e pego as coisas, saio andando.... de repente estou num morro, entro numa viela, parecendo um caminho errado, encontro um morador e do alto da favela pergunto qual o caminho certo, ele diz que este é o caminho certo, tem um pé de bambu no alto do morro, me apoio nele pra ver a pasiagem, sintom medo de cair, o estranho fuma um baseado, atendo seu conselho, sigo, entro num quarto que dá num beco muito estreito, saio, caminho por um terreno baldio e acordo
esqueci os dias
os momentos perdem-se no vazio
engodos do suposto real
cotidiano fútil e insalubre

páginas em branco
telas desligadas
poesia distante
tudo destroçado

esqueci do aconchego
divago no lodo
ruminando minha agonia
só; obelisco no deserto!

dedos tremem
tramas difíceis
nó apertado
ocaso decadente

sano minhas feridas
mergulhando no Letes
dia-a-dia
esquecendo na pureza...

6 - abril- 2004
que dia é este?
será que fui legal?
mais uma vitória?
mais uma derrota?

o que é agora?
nada que seja novo
mera obviedade
Hoje sempre pior que Amanhã

voz de morte!
voz de alegria!
voz de loucura !
voz de dor!

num repente
tudo cessa

não há mais perguntas
nem respostas...
insetos na sala
vermes no sofá...

6 - abril - 2004
o que é um 1º dia do ano?
senão isso mesmo?
que chances de renovação?
que possibilidades futuras?

a lama é a mesma!
a ocorrência cotidiana eterniza-se
o tempo rouba-me os olhos
enfraquece-me por inteiro

e o novo é ilusão?
e o novo é desespero?
e o novo é ânsia?
e o novo é o que se espera?

até o sonho é modorrento
pois é irônico saber que nada muda
mesmo que o bolso esteja repleto
és e será o mesmo verme de sempre

ano novo crenças mortas
ano novo sonhos velhos
ano novo rugas incansáveis
ano novo morte eterna...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

tremo todo ao ver as coisas, sentí-las... e de longe me enterneço com o movimento... sinto cada passo como se sentisse outrora... corpo velho... corpo cansado... em busca de não sabe o quê... deliciar-se na orgia... afogar-se na bebedeira... e depois lamber os escrúpulos na sarjeta repleta de vômito... apague a chama... não há mais vida nesta coisa magra... ondula... vibra... balança... acorda em mim monstrinhos famintos... pilantra... reduzido a pó... inconsequente... amoral... faça as pazes e morra... cada imagen tétrica uma ode ao nada... terrível é ter que suportar de olhos abertos... quisera um momento de clarividência, ultrapassar a névoa, nadar na lama como se fosse água límpida...tudo piora.. quem vem?.. não ouço nada!... não vejo!
vidro
irrealidade sublime
cansaço
trinco dentes na madrugada
desgorvernado
minha voz desfazendo-se
máquinas falhas
deito no chão e apago em meio a poeira
traga pra dentro tudo que não é preciso
ouça essa faixa
veja aquela tela
imagine e caia
sonhe com sua dores querendo rasgar tua pele
tente dormir
tente viver
sou um todo de nervos e fraquezas e desmebramentos sem fim... ontem a noite foi de terrível insônia e alguns sonhos deliciosos... o labirinto se desafaz e refaz a cada esquina... atire uma flor, cuspa uma pedra, ejacule morte... e a voz de tão longe que parece irreal eleva-me e despenco numa delícia inenarrável... sempre me engano... amanhã a tela me espera... hoje dói muitas partes que não são do meu corpo, dói e é bom... não quero esquecer, não quero lembrar, não quero refutar... calmaria... a menina sorri, o garoto desconcertado treme... jogo minhas tralhas num canto do quarto... durmo pra viver... e nesta vida de acordado só a distância me traz alegria
quem vislumbra o próximo passo?.... acompanho minha sombra no caminho tortuoso que se abre... reinvente sua vida... caia na sarjeta... sorria... prato sujo... queimei a dor... provei a falsa vitória... deito no leito de todos os dias... pedra de mármore... grotesco... sucumbo... reduzo-me... desligue, desligue tente viver... tambores tocam... deixo minhas mãos livres... não tenho paz... pressuponho a derrota a cada minuto... lâmina retira fina camada de pele... mormaço... e tuas palavras derretem diante de minha face estupefata... não aguento mais
a canção já vai começar. juro que não aguento mais. queria neste exato momento o silêncio de tudo como se fosse um manto descendo suavemente e levando o torpor embora.quem me dera um minuto de paz, um instante em que naum houvesse desafios e hipocrisias a serem estipuladas.tensão. minha imagem percorre e morre em qualquer lugar.a palavra escorre.perco a última razão que me resta.atualizo as dores.esmago baratas.respiro um punhado de ácaros.banho-me em água barrenta que vem dos canos.sinto o horror da manhã prolongando-se.tosco.até ontem era um muxoxo, um esquivar-se do real. agora é uma espécie de ruína que se disfarça de virtude.