sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Meu corpo está envenenado
Todo o maquinário jaz em ruína
A voz soa quase inaudível
Indo e voltando
Como uma lâmina de fino corte

Os traços explodindo
O ápice de meu esgueirar
Por sombras e caóticas sensações
Erguendo-se entre minhas mãos
Tomando-me todo o corpo
Com tentáculos e toscas ventosas

Delírio-poesia-mentira

O corpo envenenado
A alma entorpecida
Em inenarrável inconstância
Vagando ébria
Num vórtice coagulado
Dentro de minha carcaça

Resquício-estilhaço-penumbra

As mãos podres da amada
Passeando pelo corpo
Talvez ceifando
Talvez como doce pétala a curar

O crepúsculo pouco iluminando
Os poços de bílis de minha planície carnal
O mundo como uma “flor de lótus nascida no meio da lama” ao avesso

19-04-93

Um comentário:

ioná disse...

"As mãos podres da amada
Passeando pelo corpo
Talvez ceifando..."

Bah... adorei.