NO VAZIO OPRESSOR
DA ESPERA
A NOTA SINGULAR
DE UM SOLFEJO ÚNICO
ACALANTA O SER
EM DERROCADA!
SENTIU?
GUARDE.
NUTRA-SE NESTE SENTIR.
FECHE O LIVRO.
ESQUEÇA.
SUFOQUE NO SILÊNCIO.
DURMA!
ALEGRIA MÍNIMA DE CARACTERES DEVORADOS
POR UTOPIA NATIMORTA.
GENUÍNA CADÊNCIA QUE RESTAURA!
VÃ DELÍCIA NOTURNA ONDE PERCO-ME!
24/11/2018 - ()
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
03-05-2011
Lendas
do concreto somem na fuligem. O etéreo, vaga de arroto a peido à fedentina de
sovaco sujo a hálito cariado. No sonho agarrava sem jeito pequenos peixes e os
depositava de volta no aquário que transborda sem parar. Cada dia mais só.
Outrora se masturbava no quintal ouvindo os murmúrios dos vizinhos; tv, ruídos
de cama, gatos em combate, uma vaca solitária num quintal minúsculo, pombos que
nunca dormem, essa torrente amalgamando-se aos espasmos do ventre e ao tremer
das pernas. O solo fértil recebendo milhões de vidas natimortas. Agora lhe
resta o silêncio da madrugada quando acorda de pesadelos terríveis e não há
outro modo de alcançar o sono a não ser a prece a Onan. Despertar dia-a-dia
torna-se um martírio encarar a batalha da caixa metálica transportadora. Sem vitória.
Todos iguais. Agora um medo crescente. Como se o próximo passo fosse um
presságio mortífero. No solavanco acorda e contempla a menina de olheiras e
glúteos perfeitos. Difícil não contemplar a saúde que emana das formas juvenis
que antagonizam com a rotina noturna denunciada
em sua cavidade orbital. Surge desconhecida some lembrada; no átomo que é a
província talvez ela desapareça. E com bafo de pura mortandade expele conselho
aos ouvidos de uma quase-morta. Antagônica. Apostasia. Pesada e inefável a
carga da vida trespassa a carcaça relutante. Agulhas passeiam no peito
raquítico. Populações espalham-se pelos recônditos do corpo. Ninfas saltitam ao
redor do lago artificial. Da caverna suspensa o corpo lateja em voluptuosa
contemplação. Das profundezas de estantes repletas ouve um parceiro humilhando
o outro. A máquina move-se obediente. O corpo contradiz e persiste. A tarde
chega.
sábado, 21 de outubro de 2017
12 – março –
2010
Diante da tela
ele descansa. Diante da página ele viaja, transpõe os próprios limites. A água
do chuveiro desce suave, de olhos fechados deixa-se ao devaneio líquido. A
sujeira descendo. Sente ele em si indo pro esgoto, tala qual intimidade quente
e avassaladora. Sem transeuntes, sem vozes, nada de cotidiano, apenas ele e os
canos sujos, indo misturando-se com todo o resto até ser uma massa difusa sem
distinção, quem sabe morte, quem sabe nada. Deita-se pesado. Uma pedra, um
bloco, um peso no peito, o ar cada vez mais rarefeito, espera o sono, chega a
passos lentos, telhados dissolvendo-se, escuridão que abunda e abraça tudo. A
palavra soa, ninguém entende, música inebriante que surge do nada. A poça de
lama no quintal exala um odor nauseabundo. Acocara-se perante a poça, o que vê
é terrível; porque até pro belo é terrível contemplar-se, no caso dele é
diferente sem ser, pois sabe muito bem que a feiura é o que lhe veste. Marasmo
total. Joelhos doem. Levanta-se com dificuldade. Zonzo. Caminha de volta ao
casebre como se fosse um passeio final ao cadafalso. E dentro da enorme caixa
de aço que desliza pelas ruas, a pele, o corpo roça, choca-se e sente vindo das
bocas, das axilas, dos cabelos, das genitálias, miríades, galáxias, nuances,
rastros que deleitam, dão nojo, as papilas reagem, uma batalha estar e
permanecer em pé. E quando desce não sabe pra onde vai. Ruas desertas. Praças
sujas. Janelas vazias. Estranha sensação de ser o único que realmente está
vivo. O que fazer numa rua de portas fechadas? Tentar ouvir? Tentar sentir o
que há lá dentro? Encosta o ouvido na parede mas não consegue captar nada. A
copa das árvores da praça emitem um som, quase uma canção. Senta-se no
meio-fio, cospe no asfalto quente. Engole seco. Lê e então entende. Escuta o
agouro. Limpa o suor da testa. Anda. Continua.
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
Todo
ato benigno
Germina
merda
Floresce
dor
Estoura
as têmporas
Carícia
dissimula
Em
falsidade exclusivista
Corpo
dói
Nojo
nasce com força temporã
Bruma
nuvens chuva
Ânsia
profunda húmus ser húmus
Alma
em colapso
Mente
em desvario
Tudo
mas tudo mesmo
Fora
de controle
Dentro
de uma loucura
Dentro
de insuportável dor
Toda
tentativa é falha
O
prazer algo inalcançável
Como
tudo o mais
Como
sempre foi e será
2001
Antigas
interrogações se repetem
Como
num mantra repetitivo...
Agora
agarro a palavra do jeito que dá
Pois
a ideia tornou-se escorregadia, fugaz
Não
me iludo com, faces risonhas
Lembro-me
de máscaras irônicas;
No
fardo que é minha senda...
Torno-me
frio, distante e indiferente
O
pesadelo, o fel de antigos fantasmas, dor...
Uma
mão poderosa afunda meu peito
Quase
afogado, morto, sei lá, acordo
Coração
tonitruante, mudo, amedrontado
Todavia sei que sou minha ruína
E
uma imagem se repete cada dia mais próxima
Lâmina
conclusiva, serpente letal, cova escura
Nada
fui, nada sou, nada serei...
17/09/1999
Mergulho
deslumbrado em farpas,
Úlcera
lenta e destrutiva que avança incansável.
A
realidade não passa de um placebo.
Tétrico
ruminar de horas.
Lembranças
sujas pelo desgosto.
Um
copo atrás do outro
O
líquido provendo um desembestar quase Rompe-se o lacre.
O
descontrole se faz presente
As
cicatrizes nos meus braços pinicam lembranças,
Trazem
sensações na carne quase morta.
Quando
abro a página é um impulso libertador.
Mas
não passa de um momento
Reles
partícula efêmera eclodindo câncer.
Não
há satisfação.
Entre
uma noite mal dormida e outra
Me
resta prosseguir...
24-09-2008
Destino
Ao
longe apenas fuligem
E
de lembranças vou morrendo
O
verbo mais forte que nunca
A
nuvem cinza resolve desaparecer
O
mofo evapora
Inúmeras
razões para a vida
Inúmeros
sonhos para esquecer no canto escuro da memória.
O
amor é uma ruína desesperada em que me apego
Lembro
do rosto da criança branca satisfeita com sua guloseima preferida.
Anzóis
em minha face
Meus
pulmões não aguentam mais a fumaça sagrada
Leve
brisa movimenta grãos de areia na sala
Meus
músculos atrofiados não aguentam mais o peso da vida
O
sol avança
Minha
história é uma veleidade vazia tal qual propaganda barata
Meu
coração não suporta mais o pó
Todos
os dias adormeço diante da fornicadora de ilusões
A
cada grilhão quebrado surgem novos limites
No
meu leito um felino bicolor noir dorme, dorme e vive
Uma
fêmea passeia pela casa com o útero repleto de vida
Meu
fígado já desistiu há tempos
Resta-me
a realidade insalubre
Vejo
a cicatriz em meu ventre
Tento
fugir
Não
há escapatória daqui
Beijo
com fulgor a vulva peluda da negra
Tento
acordar
Minhas
vísceras na parede denunciam-me,
Riem
estridentemente dentro de minha cabeça
Visto
a roupa
Sinto-me
preparado pra nada
O
meio-dia está por um fio
Lambo
meu suor
Solidão
Todos
estão eternamente solitários em sua senda
Engulo
espinhos
Ofegante
tento enunciar minha chegada
Mas
é mesmo que nada
O
que emito apenas eu ouço
Tudo
difícil
Nada
mais...
03-08-2004
Acerco-me
de tudo
Por
que existo
Por
que vivo
Mas
Não
importa a verdade
Não
importa o falso que há
Embora
O
que se entende por ser
Seja
seguir as regras
E
dentro das delimitações destacar-se
Pois
é disto que não preciso
Super-ânsia:
não!
Super-verbo:
não!
Super-teoria:
não!
Não
basta
Não
resolve;
A
práxis verdadeira uma quimera utópica...
O
ínfimo ainda é e será particular ao “homem”
Neste
torvelinho de merda que é a vida
Divirto-me
com a fome
Abraço
a jornada brutal como musa
Aqueço-me
nas gotas que caem
Tento,
por fim, viver numa câmara escura
Sem
sonho
Sem
idílio
Sem
prazer
Sem
nada...
19-07-2001
domingo, 27 de agosto de 2017
Livre da
máquina? Livre de ser máquina? Minha
sombra gargalha, a crisálida é rompida. Frases repetidas. Escuto mas não
assimilo. Lento, deslizo na manhã, ainda sono, ainda quase pesadelo. Irreal.
Confuso. Xícara vazia. Fones desligados. Ele esperava mas foi esmagado pelo
tempo. Todo dia é uma nova ruptura. Em transe desconheço o mundo, regurgito
pessoas. Saudade da entorpecedora alegria de atirar para o alto em manhãs
ensolaradas. Agora um cochilo resolveria muita coisa; uma breve estadia no
vazio do descanso. O mesmo trajeto, signos que se repetem, velocidade lenta, o
óbvio gruda na pele. Escarificação. Não tenho força pra expressar as imagens em
minha cabeça. Poeira. Claridade excessiva.
Outro dia. Oito horas
da manhã de um sábado ensolarado e tórrido. Resquícios de sonhos levitam
intocáveis. Desespero suave, daqueles que lhe levam ao limite de maneira
simples e calma. Superficial. Minha palavra é uma fuga, a maior das fugas, um
esquecimento, um dormir ao relento, seguri o fluxo sem ruminar, uma profundidade
estéril, finjo acreditar nas bobagens que ouço, minto quando digo que vejo se
nem sei realmente o que vem a ser o ato de ver. Quero o vômito azedo por cima
do peito escorrendo até a virilha, quero o lombo sangrando até as nádegas,
quero cuspidas na cara, quero que a vulva banhe-me com jato mais forte de uma
urina quente e magnanimamente dourada, quero a baba depois de estocar no fundo
da garganta, também quero a lágrima, quero gotas de suor do ânus, quero a sola
dos pés sujos em minha face, quero o suor da vulva depois de um dia estafante
de trabalho, quero peidos, quero o peso do corpo nu sufocando minha face; o
buraco da vida, o buraco da merda, quero o há lito acre doce das primeiras
horas da manhã, quero a língua sibilante em minha glande ainda suja depois de
uma longa noite solitária de masturbação esquizofrenética, quero a mão inteira
abraçada pela vulva, e quero as variantes mais nauseabundas que possam surgir.
Terrível ir de um lado para o outro, não poder satisfazer, como se os grilhões
invisíveis, estivessem atados aos meus calcanhares, pior mesmo é o silêncio
dentro da cabeça e aos poucos cochichos tomam forma de uma confusão oral, de
uma balbúrdia sonora, uma confusão de uma única voz, variação bizarra de uma
única expressão, cada voz é uma parturiente surreal, cada voz uma enxurrada de
imagens, questionamentos, ordens, desejos e muita mas muita frustração. E tudo
isso zanzando em ruas desertas de um bairro fudido. Ó doce incompetência de
estar vivo. Movo a poeira dos livros, levita e cai mais embaixo, tudo não passa
de uma sucessão de desencontros, descendo a ladeira, ralando os joelhos,
tentando a todo custo parar a queda, mas, nunca para, nunca o conforto se
estabelece. Amargo na boca, articulações travadas, cansaço extremo. Tenho uma
dádiva nas mãos, pressinto que posso estragar tudo, flashes insanos, passeiam
em minha cabeça. Dor de cabeça fina bem atrás do olho direito. Sinto falta de
café. Ser inútil, viver inútil, acordar inútil. O erro prevalece, a virtude
tomba, a moral não passa de um leproso pedindo esmola na porta de uma igreja, o
escrúpulo é enterrado, a boa vontade é uma puta raquítica de 13 anos vendendo
sua genitália podre e suja por dez reais. No silêncio da manhã ensolarada
refugio-me em meio às estantes, penso que o passado possa me anestesiar,
sugar-me desta sinfonia dodecafônica de carros que passam incessantemente. Leve
desordem prefigura caos incontrolável. Passei três dias deitado no azulejo
branco e frio. Encurralado. Qualquer opção vai dar em merda. Tento mas não
consigo, todo mergulho interior revela-se uma frustração sem tamanho,
superfície lisa e estéril e impenetrável. Um final de semana sem uma gota de
álcool, uma terça-feira iluminada e sem ressaca. Triste muito triste. Buzinas
nervosas anunciam o dia. A senhora de cabelos curtos vê o livro antigo e lembra
com regozijo e vejo na minha mente obnubilada pelo sono imagens de sua vivência
de outrora. Atrasado, hostil, ignorado. Apenas o silêncio, apenas ouvir os
barulhos exteriores. Como entender a polifonia estapafúrdia da vida?
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