sexta-feira, 5 de junho de 2009

Promessas
Não passam
De pontes imaginárias

Domínios
De uma lei inexistente

Algo do avesso
Algo sem contexto

Sem nexo
Sem sexo
Sem nada

05-02-1992
Resguardo-me na noite
A dor transporta-me
A hipnose eletrônica das noites urbanas
Me faz mergulhar no ócio

Lâminas por todo o corpo
Ferida aberta

Sob o neon
As putas rindo
Da minha cara
Da sua cara

27-08-1993
Outra planície árida e solitária.
Outros gestos invadindo meu âmbito
Vazio
Rigidez
Mundo-brincadeira
Outra estrada onde meus passos
Confundem-se com mãos ávidas por loucura
Outras manhãs
Insensatez
Canções
Percorrer o campo sujo
Sangue
Leito
Outras dores
Fagulha
Olhares submersos
Ódio
Picardia
Rancor
Outros abismos
Confusão...meus olhos...escuridão
Outros rumos
Espinhos
Vácuo
Amarguras.
Quero beber o vinho das tavernas em que os corações
Foram crucificados ao meio-dia na esquina mais próxima

Não quero fumar os cigarros ou o tabaco
Que escondes no bolso de dentro do paletó

Pois já me bastam os caminhos que me foram escondidos
E os amores que foram negados

Quero olhar o horizonte
Ou os bosques que mostras ao longe

Pois já basta a areia das velhas estradas
Que trago nos olhos

03-03-1992

segunda-feira, 13 de abril de 2009

a melodia oblitera o fluxo
espalha-se sinuosa
incinera lembranças
constrói novos rumos

arqueja suspira grita
enverga-se o signo além da forma
o derretimento das sensações
crisálida rompida

face translúcida
cada despedida
um novo enlace
certeza irrevogável

sangue ferro fogo
suor nervos eletricidade
atemporal sinérgico escuridão
luz luxúria solidez

a chama tremula
num estertor fulgurante
a bruma abraça os corpos
útero noturno restaurador

agora o tempo reina
a espera comanda os passos
para superar a intempérie
tudo dilue-se em dádiva.

12-04-09&

quarta-feira, 25 de março de 2009

expressão que trava
língua que perfura
cada recôndito
cada centímetro

outrora intocáveis
agora receptivos
conforto umbilical
lúbrica ascensão

de dentro pra fora
externo visceral
gotas de suor
amálgama incandescente

23-03-09 &
eis que o rio seca
palavra jaz calada
confinada num baú de vísceras
velhos gestos retornam

uma última onda
de pulsante energia
labaredas vermelhas
línguas escarlates

deito no abismo
nada enxergo
estranha solitude
canção triste que se vai

é como se acordasse
de um longo pesadelo
grilhões derretem
escalo o buraco com avidez

não importa
seja luz
seja sombra
verdadeiramente não interessa

cada passo
uma certeza dum novo que dilacera
cada olhar
um vislumbre daquilo que é imutável...

18-03-09 &

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

nunca sinto realmente o que penso sentir mesmo quando há beleza em demasiado nem quando a dor extrapola todos os nervos...ainda asco...a partir de hoje e sabendo que isso não é uma promessa vou controlar o animal que há em mim...que venha toda idiossincrasia e a dormência do gestual civilizado e a hipocrisia fantástica que alimenta os sorrisos amarelos de nosso tétrico passar de dias...será que há uma segunda chance? o corpo despenca em frenesi...tudo demora tanto ao ponto de não parecer demora tal qual um sonho que nunca acaba ramificando-se numa profusão virulenta...olhar o vazio, esquecer o vazio, esquecer o que não cessa de martelar, quem sabe doença e então acordarei e tomarei coragem de dar o grande passo...prefiro embotar todos os sentimentos...foda-se o futuro...que vá a merda o presente...que o passado suma...nem lembrança, nada!
penumbra vermelha que banha o corpo, talvez lascívia quem sabe um descontrole...uma semana inteira de ressacas memoráveis...o falso aponta na esquina...pedras e pedras derretem rumo ao miolo...sigo no tédio, na lentidão mísera, puro resquício, intenção tardia...carros atropelam minha sanidade...de hoje em diante é ir sem olhar para trás, sem esquivar-se dos fatos apenas para sucumbir depois com o peso metafórico da significação...nado no lixo...cuspo pra cima e recebo de volta...é o mofo das estantes, é a insegurança da noite, pesadelos de barriga cheia...
janeiro - 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A alegria repousa escondida, líquida, fumaça sinuosa, pancadas vindos de qualquer lugar, alegria e saudade, o sorriso brinca de entristecer mas ainda a alegria insiste, seja em cortar a unha do pé, quem sabe um dia insalubre numa ressaca transcendental...
gritos repletos de euforia...a alegria de lembrar dos mortos...a epifania da voz rouca...sonhos, sonhos, sonhos...mesmo quando o copo vira e sei que danifica a singeleza do corpo, a palavra efusiva do amigo, a forma esquálida observando silenciosamente, a palavra fluindo, o líquido desce, esquece-se da fome...
e onde repousa as razões das coisas? quem dera um vislumbre, o famoso "insigth" para quebrar o desenrolar contínuo de uma monotonia que não cessa...
um rosto na multidão, uma face distorcida na janela do ônibus, um fantasma vivo que canta solitário, ruínas de uma imaginação falida...
daqui a pouco o último gole, caminhar a esmo, encapsular-se nos bólidos de aço e quem sabe ir pra casa ou qualquer outro lugar...
janeiro 2009