segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

algo molesta minhas interdimensões mentais
distorce tudo
levando ao estado de percepção sorumbática

se andei manuseando é novidade para mim
pois estou isento de poderes
fraco...solitário...acuado

desconheço sua dimensões venusianas
minhas dimensões agora são
MOFO, AGONIA E NULIDADE...

não tem dimensão nenhuma
o que está aqui é aqui e pronto....
sem energia
totalmente obliterado por auto-idiotia
rastejando sem esperança no lodo da rotina
saciado?
perco a jóia verdadeira e estou saciado?

que espécie de fast food andas a degustar?
sinto que vossa percepção está alterada não por mim
e sim pelo oceano de recalques de suas intempéries mentais
nem vernáculo possuo desde antanhos!

vossa visão é turva
de onde estás é o que és
não vislumbra e nem sonha
vai findar afundado na própria merda tal qual a mim

não duvide
pois sua dúvida recai sobre si
é um reflexo de sua desgraça
a repetição incansável de um mantra de dor e desespero

rumino e engulo e doí mais a cada dia
olhe pro passado e deixe ele lhe arrebatar
o futuro não existe!!!!!
continuo preso
meu leito é frio

insetos
mofo...

continuo fascinado
correntes riem de minha dor

lâminas de barbear dialogam
com minha jugular

é isso,
mais um belíssimo dia
na vida de um idiota!!!!
sem dimensão
dor de barriga imensa...
ódio ódio ódio
um cálice de veneno por favor
sem espaço

trancado com minhas dores
a vida revela-se uma maravilha decadente a cada amanhecer...
sou escravo
não me incomodo
desde sempre fui inclinado ao torpor
será que quero ser normal?
será que trago em meu pacote de vísceras a essência da vida comun?

durmo em meu vômito!!!
sinto o cheiro,
lambo o vômito da vida
juro que não suporto mais essas luzes
esse virar de copo eterno
é por aqui, é por ali...

trago em meu lombo todo um manto de desgraça,
burrice e dor
sem módulos
a cada mudança a "vida" refaz vossa programação
caímos mais uma vez na ânsia maldita de querer mudar...

mude e nada presta
permaneça e nada presta
morra e nada presta

ter e não sentir
ter e não ver
ter e não tocar!!!!...

a merda escorre por entre as pernas
não consigo levantar e ir adiante!
os modelos se espatifam no chão
feliz agrura
feliz ruína
bom dia
boa manhã ensolarada
boa queimação de estômago

atraso meu relógio
o tempo é cruel
a palavra atravessa o universo
e rasga cada centímetro de sanidade
feliz pesadelo
feliz dor de cabeça

onde está meu presente?
é uma lápide!
obrigado!
"NÃO DESCANSE EM PAZ"
lágrimas lágrimas lágrimas
não entendo minhas palavras
ligo melodias
acendo janelas

feliz desaniversário solitário
feliz merda diária
feliz infelicidade!!!!!!!

25/12/2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

sem tempo
lodo fino
espalhando-se
quimera
náusea volta

vejo a vida
corro de medo
alucino
sem remédio
sem futuro
brinquedo mordaz

atravesso paredes
engulo monotonias
surrupio nada
morro sonho!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

eu não sei.
triste. só.
sinto demasiado
parece outra sensação.

imparcial.
vida. morte.
coisa boa
coisa má
escrúpulo

choque. aturtido.
pressa. ordem.
defina e morra
destrua e viva

sigo. contenho.
explodo.
ninguém vê.
culmino em dor
agora adiante.
dádiva extinta

cores e tristeza
lâminas e sonhos
fome e malogro
pedra e sapato

tarde!
tarde demais!

15-11-07
murcho
sem vontade
sem escolha
queda.
indisposto
sempre ausente

esquecer
seria bálsamo
ressurreição
um novo fantasma
a cada dia!

tapa na cara
unha na carne
pronto.
marcado pra sempre

criar um rumo
tecer uma
nova indumentária
chaves novas
pra velhas portas

enrugado
rútilo
sombras murmurantes
deito.
refugio-me.
sou ignorado
em minha ânsia
parvo.
esquisito.

15-11-07

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Este é o mês das condolências. Corações repletos de ternura. Néons piscando incansavelmente. Mensagens de fraternidade. Uma leva de seres iludidos numa hipnose de cores fortes. Natal sempre me deprime. Lembro de me sentir profundamente sufocado com o arroubo dos parentes chegando. Eu do alto de minha inocência quase morta querendo que acabasse o mais rápido possível. Que as portas se fechassem e o sono chegasse para tranqüilizar. Tudo é muito vago, imagem turva perdendo-se no labirinto da memória. São fatos para mim sem nenhuma relevância. Papel mofado. Amigo falso. Trapos revoluteando até sumirem. Ilusão nefasta. Covardia. Minha avó comprava “o forte apache”; cavalos, índios, cowboys, carruagens, e areia do agreste nordestino ajudava a compor o cenário ideal para lutas, conquistas, derrotas e tudo o mais que a maravilhosa insanidade da infância pôde proporcionar.
Hoje fujo de toda esta balbúrdia. Ás vezes um garrafa de vinho barato, discos na vitrola no último volume, revistas velhas de um tempo em que havia pentelhos nas modelos e algo terrivelmente gorduroso para acompanhar. É impossível engolir a hipocrisia. Sorrisos mostrando recentes visitas ao dentista. Orgulho em mostrar a roupa limpa mesmo sendo falsa. E o pior são os presentes; eletrodomésticos, colares, fôrmas de bolo, camisas regatas garimpadas nas mais obscuras das promoções, carteiras portas-cédula, mas o pior mesmo são as bijouterias dadas com tanto fervor e carinho que parecem mesmo serem verdadeiras jóias, a lista dos horrores é de uma imensidão que encontraria o caminho do cemitério e não chegaria ao fim.
26 de dezembro de 2005, um dia após toda a bazófia, daqui uns dias e mais um ciclo recomeça. Já não agüento mais a profusão de propagandas, roupas brancas, garrafas de champanhe barato, sorrisos esmaltados. Minha avó enfeita com tiras brancas e amarelas o retrato de minha bisavó, como se estivesse conversando com ela carinhosamente. Estranha ternura. Sensação de profundo fracasso. O tempo rápido de demais. O músculo que comanda as correntezas estrebucha anunciando o provável fim. A criança desliga–se do mundo alienada em um novo brinquedo que aprisiona pedaços do real. A carruagem repleta de ilusões já sumiu no horizonte. Mais um dia. Menos vida. Cinco dias para uma efusão de promessas: “Juro que não como mais gordura.” “ Beberei socialmente e nada mais.” “Quebro meu cartão de crédito.” “ Dessa vez paro de fumar.” Enfim balelas e nada mais.
3 décadas e seis meses. Quente como um forno a província rasteja. A decoração de fim de ano é uma das coisas mais deprimentes que acontecem por aqui. Pobre em detalhes. Até parece reaproveitamento da decoração do ano passado. 30 anos e aqui estou enterrado num buraco no fim do mundo. A árvore de natal de 83 metros pisca radiante para as janelas dos arranha-céus. Famílias paupérrimas acampam debaixo de uma ponte que dá acesso ao um bairro de classe-média da cidade. As lojas vociferam tonitroantes refrões hipnóticos. Enorme cansaço. Fodam-se todos e feliz ano-novo!
Entrego os pontos... dissimulo a vida em mínimos atos... na escuridão apenas o perigo... dependuro-me na linha do horizonte... cada amanhecer um certificado de que o caminho verdadeiro é pura solidão... o sol ferve os miolos... otimismo, esperança destroçam meus nervos... espero que o sangue esfrie... pra quê serve a convicção?... renego o que os sonhos tentam me dizer... giro a maçaneta... sou hipnotizado por imagens corriqueiras esplendidamente novas... afundo-me na merda... acato a miséria... sinto o descontrole tal qual uma nuvem de gafanhotos famintos... aquele amanheceu de cara na pedra... outro vomita no ônibus... tudo é simultâneo... o mundo é uma piada séria... do alto do morro vejo chamas tremulando a beira-mar... parece nascer um vórtice de medo em minhas entranhas... sempre é isto de ir e não mais voltar... aranhas despencam dos quadros ... são quatro paredes sujas que me acompanham há doze anos... abro a panela: vazia... abro a carteira: nada...aos poucos vou me esvaziando-me... roupas no chão... a roda gira numa harmonia inversa... ferrugem... cansaço... a estrovenga passa próximo ao calcanhar e como era alvo, luzidio o gume dela... e nas inúmeras páginas de minha memória os ícones, arquétipos vão sumindo engolidos pelo tempo... quanta confusão... a primeira palavra da manhã é: peste... tudo bem?... entrei numa crisálida em que mal posso respirar...